A Receita Federal em Paranaguá apreendeu anteontem uma carga de 700 mil unidades de isqueiros contrabandeados. A carga foi comprada na China por um importador paraguaio. Avaliada no atacado em aproximadamente R$ 210 mil, a carga foi descoberta numa vistoria de rotina no entreposto do Paraguai, localizado na Vila Madeira, em Paranaguá. Além de falsificar a marca do produto, o exportador falsificou também a origem dos isqueiros. Apesar do contêiner ter vindo da China, a nota do embarcador discriminava que a origem era a Zona Franca de Manaus.
Na avaliação de Paulo Sérgio Murta, inspetor da Receita Federal, a falsificação ‘‘é bem-feita’’ e, aparentemente, não poderia notar a diferença. O produto falsificado era uma imitação da marca BIC, líder na venda de isqueiros no Brasil e em vários países. A fábrica da BIC no Brasil fica na Zona Franca de Manaus. Os isqueiros apreendidos traziam a inscrição ‘‘BIE’’. A assessoria da empresa informou ontem que os consumidores precisam ficar atentos, pois as falsificações vêm aumentando nos últimos anos.
Paulo Sérgio Murta explicou que a responsabilidade pode recair sobre o importador que, neste caso, é representado pelo delegado do entreposto do Paraguai, Juan Pablo Esteche. De acordo com Murta, o importador será notificado e terá 20 dias de prazo para se defender. Depois desse prazo ele será multado e o material apreendido será destruído pela Receita. Cada isqueiro falsificado custa no atacado, aproximadamente, R$ 0,30. O produto legal chega ao mercado varejista por cerca de R$ 1,30.
O inspetor disse que o contêiner foi vistoriado porque havia uma denúncia por parte da BIC de que poderiam passar pelo porto, em direção ao Paraguai, isqueiros falsificados. O entreposto paraguaio vem sendo alvo de investigações da CPI estadual do Narcotráfico, que recebeu denúncias dando conta que drogas e armas estariam passando pelo local. Apenas 10% dos 200 contêineres que passam mensalmente pelo entreposto são vistoriados.

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