Chiara Papali
De Londrina
Especial para a Folha
Novas profissões estão surgindo e outras estão se extinguindo neste final de século, principalmente por causa da grande revolução causada pela informática. Profissões importantes em sua época, como a de acendedor de lampiões de ruas, simplesmente desapareceram com a chegada de novas tecnologias, neste caso com a chegada da energia elétrica. Hoje, na era da automação, profissões como a de ascensorista, datilógrafo e torneiro mecânico estão se tornando obsoletas.
Segundo Sérgio Garcia Ozório, de 31 anos, gerente regional do Sebrae em Londrina, as atividades que estão mais em evidência são: informática, telecomunicações, biotecnologia, entretenimento, lazer e turismo, serviços e produtos para idosos e consultoria na área de negócios. ‘‘Algumas áreas, como gestão ambiental, saúde, seguros e novas formas de ensino, ainda não estouraram, mas a tendência é que elas se expandam’’, diz.
O economista Sérgio Pavan Margarido, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), explica que carreiras ligadas ao comércio exterior também estão em evidência, em função da maior abertura da economia brasileira ao comércio internacional. ‘‘As próprias faculdades percebem isto e há uma proliferação de cursos nestas áreas’’, afirma.
Uma pesquisa da Universidade do Texas, nos EUA, mostra que em 1998 a Internet gerou uma renda de 300 bilhões de dólares, e foi responsável por 1,2 milhões de empregos.
Os americanos também estão à caça de pessoas que conhecem profundamente computadores, redes corporativas, intranet e internet, linguagem HTML e quetais, independentemente de sua nacionalidade. Nos sites www.monster.com e www.hotjobs.com, por exemplo, pode-se achar vagas facilmente nesta área.
No Brasil também proliferam funções no setor de informática. Quem costuma navegar pela internet já deve ter se deparado com um anúncio da UOL (Universo On Line) que oferece vagas para webmaster, redator e analista-programador, principalmente para macintosh. As exigências básicas são conhecimentos de linguagem HTML, JavaScript e inglês técnico.
O recém-formado em Ciências da Computação na Universidade Estadual de Londrina (UEL), André Deguchi, de 22 anos, já tem emprego garantido. Durante a faculdade foi convidado a fazer um estágio na empresa Vesta Technologies, de São Paulo, com mais quatro alunos. Durante o estágio desenvolveram um software para automação dos processos internos da empresa, para facilitar a comunicação interna e definir o fluxo de trabalho. Hoje, antes mesmo da formatura, os cinco já estão contratados. ‘‘Não imaginei que iria arrumar o primeiro emprego assim tão fácil’’, diz.
A área de turismo e lazer também está em crescimento. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), pela primeira vez cursos tradicionais como o de Direito e Medicina foram preteridos pelos vestibulandos. O curso de turismo é o mais concorrido, com 34,6 candidatos por vaga.
Nei Ferreira Martins, de 35 anos, se formou em educação física na UEL em 1988 e partiu para uma atividade na área de lazer. Há quatro anos está trabalhando em um hotel em Bonito (MS) onde montou uma equipe de recreação. Hoje ele está mais ligado a área de administração financeira do hotel, mas ainda participa dos bingos, bailes, karaokês e outras atividades que o hotel promove para seus hóspedes. ‘‘É uma profissão em que a gente trabalha se divertindo’’, diz.
Outra carreira em alta no Brasil está ligada ao setor de telecomunicações e marketing. Francisco Rodrigues Gomes, de 30 anos, é formado em análise de sistemas, e iniciou atuando em uma grande empresa de telecomunicações de Londrina. Depois de quatro especializações na área mercadológica, ele optou pela área comercial. Ainda em Londrina, foi para outra empresa de telecomunicações trabalhar como gerente de produtos. Há três meses ele não resistiu a uma proposta que definiu como ‘‘irrecusável financeira e profissionalmente’’ para mudar de cidade e trabalhar no Rio de Janeiro, como gerente de produtos e mercado corporativo da Telemar, maior operadora fixa da América Latina, que atua em 16 estados. ‘‘Eu já ganhava bem, mas meu salário agora é pelo menos três vezes maior’’.
Sérgio Ozório, gerente regional do Sebrae, chama a atenção também para o perfil do profissional do futuro, que segundo ele, deve ter características como: capacidade e paixão para aprender e se aperfeiçoar sempre, ser criativo e inovador, estar aberto a mudanças e ter o foco em resultados.
Mas, como os paradoxos existem, tem gente que ainda sobrevive exercendo trabalhos manuais, que exigem também grande conhecimento e tecnologia. É o caso do violinista búlgaro, naturalizado brasileiro, Evgueni Ratchev, de 51 anos, spalla e maestro adjunto da orquestra sinfônica da UEL (OSSUEL). Ele fabrica violinos há 30 anos. ‘‘É um trabalho demorado, que exige habilidade e musicalidade. A madeira precisa ser tratada de maneira especial’’, afirma. Cada violino demora, em média, de cinco a seis meses para ficar pronto. ‘‘O futuro não vai fazer desaparecer esta profissão, é impossível produzir um violino com essa qualidade, que não seja manualmente’’.

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