O enterro do policial civil Flávio Maria Prado, 48 anos, no início da tarde de ontem, transcorreu num clima de muita tristeza, mas com tranquilidade. Diferente do período da manhã, que foi marcado por acalorados protestos dos colegas de profissão. O policial morreu na última segunda-feira de hemorragia interna provocada pelo rompimento de órgãos. Há fortes indícios de que ele tenha sido espancado pelos policiais militares Elias José da Silva e Renildo Teixeira Cardoso, depois de uma abordagem em um bar do bairro Tatuquara, em Curitiba, no último dia 21.
Por volta das 10h30, cerca de 100 viaturas e 500 policiais civis saíram em carreata da capela do Cemitério Água Verde em direção ao quartel do Comando Geral da Polícia Militar, no bairro Rebouças. O corpo de Prado foi levado numa viatura do Grupo Tigre. Em frente ao quartel, os policiais, com uma salva de palmas, ironizaram a atuação da PM na abordagem ao policial morto.
Do quartel da PM, os manifestantes partiram para a frente do prédio do Departamento da Polícia Civil, no centro de Curitiba e, em seguida, até o Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, retornando ao cemitério. Prado foi enterrado por volta das 14 horas, num jazigo da União da Polícia Civil do Paraná. Os colegas homenagearam o policial com uma salva de tiros.
Cerca de 80 pessoas participaram do enterro. Entre elas, a integrante da Associação Cultural de Negritude e Ação Popular (Acnap), Marcilene Garcia de Souza. Para ela, não há duvida que o caso envolve racismo. Flávio Prado era negro. Pesquisa realizada pela UFPR, em Curitiba, apontou que mais de 60% dos casos do uso de violência nas abordagens policiais envolvem pessoas negras.
A viúva do policial, Ivonir Cacho Roski, estava inconformada com a violência praticada contra seu marido. ''Depois de tanto tempo de serviço (30 anos), de tanta coisa que enfrentou, nunca iria esperar que os próprios colegas fizessem isso com ele.''

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