Londrina

Mário CésarManifestaçãoFamiliares de Vanessa Maia fincam uma cruz no local do atropelamento: protesto reuniu 200 pessoas na BR-369O atropelamento e morte da estudante Vanessa Maia, 18 anos, na madrugada do dia 15, na avenida Tiradentes, foram a ‘gota de água’ para a população da zona oeste de Londrina. Os moradores resolveram construir, eles próprios, dois quebra-molas, um em frente ao posto Corujão e outro no acesso próximo ao Moinho de Trigo Dona Benta. Já compraram o material e marcaram para segunda-feira o início da obra. Em menos de dois anos, quatro pessoas morreram atropeladas naquele trecho da BR-369.
Vanessa voltava do Rodeio Universitário e foi atropelada perto do meio-fio, quando ia atravessar a pista. Segundo testemunhas, o motorista do Gol que atropelou a estudante, Marcelo Coutinho, 21 anos, estava praticando racha (apostando corrida) com o Escort conduzido por Edmar Mattos, 24 anos.
Segundo testemunhas, nenhum dos dois teria parado para socorrer a menina, que morreu no local. Edmar Mattos nega que estivesse participando de racha e afirma ter parado para tentar ajudar Vanessa. Coutinho também negou que ‘‘tirava’’ um racha.
‘‘Nós não suportamos mais perder filhos, parentes e amigos nesta avenida porque motoristas imprudentes passam por aqui a mais de 160 quilômetros por hora’’, disse a presidente da associação de moradores do Jardim Leonor (zona oeste), Maria Inês Ribeiro, durante manifestação ontem no local onde Vanessa morreu. Mais de 200 pessoas participaram da passeata e carreata organizada pela família de Vanessa.
Os moradores aderiram à manifestação e, juntos, pediram maior rigor e agilidade nas investigações e providências para evitar novas mortes no local. O protesto começou às 14 horas na rua Rui Virmond Carnascialli e seguiu até a avenida Tiradentes, na altura do Moinho de Trigo Dona Benta, onde Vanessa foi atropelada. Histórias de perdas de vidas parecem fazer parte do cotidiano da maioria dos moradores da região, que se referem ao trecho como ‘‘corredor da morte’’.
‘‘O DNER disse que vai processar quem construir o quebra-molas. Pois que processe toda a comunidade porque nós vamos levantar os quebra-molas. Se alguém tem de morrer que sejam os motoristas imprudentes e não pais de família e crianças’’, desafiaram os moradores em coro.
A manifestação parou o trânsito no trecho, formando engarrafamentos na avenida. No local da morte de Vanessa foi colocada uma cruz com flores e fotos da estudante. A mãe de Vanessa, Cleusa Maia, não conseguiu se controlar e chorou muito.
Para ela, não há dúvidas de que Marcelo Coutinho participava de um racha. ‘‘Pessoas ligam para a gente confirmando que ele sempre estava envolvido em rachas. Queremos justiça e, do poder público, esperamos que tome providências para evitar que motoristas irresponsáveis continuem colocando em risco a vida dos outros’’, disse. Os familiares de Vanessa já marcaram nova manifestação para o próximo dia 15.
O engenheiro-chefe do DNER, José Carlos de Oliveira, frisa que um quebra-molas no local poderia provocar acidentes graves envolvendo veículos e a responsabilidade penal será de quem fizer a obra. ‘‘Além disto não resolveria o problema da comunidade.’’ Oliveira lembra que o projeto de sinalização semafórica para o trecho já está pronto e dependendo de verba - R$ 100 mil.
Mas o DNER definiu uma medida provisória. No início de julho foi elaborado um projeto para instalação de sinalização horizontal e vertical no local. Os sonorizadores estão prontos. ‘‘Fizemos a nossa parte. Mas, até agora, a prefeitura não providenciou o restante da sinalização’’, reclama Oliveira. Segundo o DNER, a Polícia Rodoviária só poderá começar a fiscalização depois da conclusão da sinalização. Juan Monastério, diretor-técnico do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), afirmou que as placas de sinalização já foram instaladas e que a polícia pode fiscalizar.

mockup