Revoltada com crime, população depreda prédios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de dezembro de 2003
Rosana Félix<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A população de Itaperuçu, na Região Metropolitana de Curitiba, se revoltou na noite de anteontem com a falta de segurança no município e depredou o prédio da prefeitura, o módulo da Polícia Militar (PM) e a delegacia. O assassinato do comerciante Luiz Motin, 57 anos, durante um assalto, motivou o quebra-quebra. Três menores de idade, todos com 15 anos, invadiram a lanchonete do comerciante e iam levar R$ 30. Motin reagiu e foi baleado. Essa foi a terceira morte em uma semana ocorrida no município.
Dois dos três meninos foram presos logo após o crime. O terceiro, juntamente com o revólver utilizado no assalto, foi localizado ontem. Os três foram levados para a Delegacia do Adolescente em Curitiba e serão apresentados ao Juizado do Menor.
A lanchonete de Motin fica a 100 metros do módulo da PM. Há apenas dois policiais para atender o município de 22 mil habitantes. Logo após a morte do comerciante, por volta das 20 horas, a população se reuniu na principal rua de Itaperuçu e destruiu o muro e os vidros do prédio da PM, que estava vazio. Depois as pessoas seguiram para a Prefeitura, a poucos metros dali, e invadiram o prédio. Computadores, mesas, cadeiras, vidros e divisórias foram destruídos. Móveis foram jogados pela janela. No momento da invasão, havia apenas um segurança no lugar. Os funcionários estão em recesso. A delegacia também foi depredada. A Tropa de Choque da PM chegou ao local no final da noite e dispersou os manifestantes.
Ontem à tarde, os moradores admitiram que houve excessos, mas justificaram a manifestação. ''Na hora que souberam da morte, as pessoas se revoltaram. Queriam respostas do governo, da polícia'', disse Carlos Gilmar Afânio, proprietário de um restaurante na cidade. ''Estavam apenas reclamando por Justiça'', declarou Silene Motin, irmã de Luiz Motin. ''Aqui é uma terra sem lei'', acusou Aurora Sabadin, prima da vítima.
De acordo com um dos membros do Conselho de Segurança de Itaperuçu, José Augusto Liberato, os assaltos na cidade são comuns e acontecem durante o dia. Ele disse que a impunidade é constante. ''Se nem os maiores de idade são punidos, os adolescentes se sentem à vontade para agir'', relatou.
Em depoimento à polícia, os menores confirmaram o crime. Eles invadiram o estabelecimento de Motin pela entrada dos fundos e apontaram a arma para Roseli, mulher do comerciante. Roseli pegou o dinheiro do caixa e ia entregar aos menores. Motin pegou uma cadeira e jogou contra os meninos. O comerciante foi baleado no tórax.


