Josoé de CarvalhoPista fechadaA multidão arrastou um carro apreendido no pátio do posto rodoviário e interditou a pista da BR-369Após a destruição total do posto da PM, e da obstrução da pista que liga Ibiporã à Londrina, a multidão de ensandecidos e curiosos seguiu para a delegacia civil. Lá, o quebra-quebra recomeçou. Os manifestantes roubavam ou destruíam veículos e motos que estavam estacionados no pátio da delegacia. Numa total alucinação, atearam fogo nos arquivos da polícia e quebraram computadores, vidros, portas e objetos que encontraram pela frente. O motivo inicial da passeata, um protesto contra a violência praticada pelos policiais que acabou causando a morte do pastor, há muito já tinha sido esquecido. A revolta tornou-se fúria e não tinha motivos, não precisava de motivos. Não era a fúria da população ou das pessoas que participavam da passeata, era a fúria ‘‘particular’’ de alguns. Talvez, umas 40 ou 50 pessoas, comandadas por meia dúzia de vozes alucinadas: ‘‘Agora, vamos quebrar tudo. Vamos lá gente’’, gritava um. ‘‘Não vamos deixar nada’’, gritava outro.
A platéia, cerca de trezentas pessoas, assistia à tudo entre perplexa e curiosa. Algumas pessoas lamentavam tanta violência. ‘‘Eu sou daqui, mas não concordo com isso não’’, disse um senhor aposentado. De repente uma correria geral, o pessoal que estava dentro da delegacia depredando tudo ameaça contra a multidão que estava do lado de fora.
Outro senhor comenta que um cinegrafista de uma rede de televisão teve que sair correndo porque os manifestantes ameaçavam contra a sua vida. ‘‘Eles não querem câmaras, nem máquinas, nem jornalistas por perto. Sabem que, quando a confusão abaixar, podem ser reconhecidos’’, disse um curioso.
O barulho do quebra-quebra mantinha os curiosos a certa distância. Havia a desconfiança de que alguns manifestantes estavam armados. A cidade parecia deixada à própria sorte. ‘‘Os policiais se mandaram em cinco viaturas, a toda velocidade, para Londrina. Pelo jeito, a ordem era para que não houvesse confronto. Talvez a coisa não tivesse chegado a esse descontrole se a confusão tivesse sido contida desde o início. No começo, era uma meia dúzia de pessoas fazendo o quebra-quebra, como não foi feito nada a coisa foi crescendo’’, comenta outro senhor que preferiu não se identificar.
Por volta das 18 horas, viaturas da PM de Londrina começaram a chegar ao local. O Comandante do 5º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel Marino Ari Burilli, tentava retomar o controle da situação. Primeiro, evitando que a depredação da delegacia continuasse e mais tarde retomando o comando do posto de PM que havia sido queimado pela manhã. No meio do tumulto, ele ainda não sabia quais as medidas a serem tomadas, depois da situação se acalmar.

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