Um Vectra branco fura a fila e pára ao lado da praça de pedágio em São Luiz do Purunã. O veículo vai direto à cancela destinada aos veículos que não precisam pagar para seguir viagem. Anselmo dos Santos, de Paranavaí, sai do carro segurando a filha nos braços. Ele está desesperado e chora compulsivamente. Anselmo quer a ajuda de um funcionário da concessária Rodonorte para liberar a passagem e levar a menina ao hospital mais próximo. ‘‘Ela está passando mal’’, grita. Caminhoneiros retiram alguns cones de sinalização para ele passar, mas a cancela é aberta automaticamente e Anselmo desaparece na estrada.
Cenas inusitadas marcaram o protesto dos transportadores de carga na manhã de ontem. Sem dinheiro para pagar o pedágio, Wanderley Galvão, 43 anos, foi obrigado a pedir esmola para os companheiros de estrada. Os últimos R$ 20,50 que tinha no bolso foram deixados na BR-277, no posto de pedágio do lote 6, em Morretes. Wanderley transportava de Paranaguá para Ponta Grossa uma carga de defensivos agrícolas. Através da solidariedade de outros caminhoneiros, Wanderley conseguiu dinheiro suficiente para terminar o serviço. Acabou aderindo ao protesto. ‘‘Vou ficar por aqui até isso terminar’’.
O aposentado César Lange Araújo, 50 anos, foi o responsável pela primeira manifestação do dia em São Luiz do Purunã. Dirigindo um Corsa, César levava a mãe, Leoni Lange, de 71 anos, para um exame médico em Curitiba. Pagou pedágio no posto da Colônia Witmarsun, em Palmeira. Dez quilômetros adiante, viu que teria de pagar de novo, em São Luiz do Purunã. ‘‘Como vou pagar duas vezes em 100 quilômetros (a distância entre Curitiba e Ponta Grossa)? Mostre-me uma lei que me obrigue a isso’’, argumentava Lange com os funcionários da Rodonorte.
A mãe do revoltado motorista deu um ponto final à discussão. Ela pagou os R$ 3,20, disse que compreendia a indignação do filho, mas não poderia perder a consulta médica em Curitiba, marcada para as 9 horas.

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