Revolta de presos faz refém em delegacia
Detentos já condenados se revoltam para conseguir transferência a penitenciárias
Com capacidade para 21
presos, delegacia
abrigava 60 - 30%
deles já condenados
James Alberti
Marcelo AlmeidaSuperlotaçãoPoliciais revistam os presos em busca de armas: revoltosos conseguiram objetivo de serem transferidos para penitenciáriasVinte e dois presos atearam fogo em colchões e ameaçaram matar um detento chileno, feito refém, ontem em uma rebelião na 1ª Delegacia de Furtos e Roubos, no bairro Cajuru, em Curitiba. As celas têm capacidade para 21 presos, mas estão superlotadas - abrigam 60 homens, pelo menos 30% deles já condenados e que não poderiam estar na delegacia. A revolta começou às 14h30, porque os presos queriam ser transferidos para um presídio. Eles reclamam que não podem receber visitas, tomar sol e trabalhar para diminuir as penas. A rebelião só foi controlada por volta das 17 horas, depois que os 22 revoltosos tiveram confirmadas suas transferências.
Dois juízes corregedores da Vara de Execuções Penais, Roberto Massaro e Rubens Fontoura, negociaram com os presos. Massaro disse que os processos dos 60 detentos serão verificados, para viabilizar a transferência dos que já estão condenados. O juiz reconheceu, porém, que não existem vagas nos presídios. Mesmo assim, 12 dos 22 detentos seriam transferidos ainda ontem, às 21 horas, para a Colônia Penal Agrícola, em Piraquara. Os outros dez devem ser levados na próxima semana para a Penitenciária do Ahú.
Apesar do nervosismo e do grande número de soldados do Batalhão de Choque da Polícia Militar e policiais civis não houve confronto nem feridos. Os bombeiros demoraram cerca de cinco minutos para apagar o incêndio nos colchões. A delegada operacional Delair Ribeiro Manfron teve atuação decisiva para evitar feridos, acalmando os presos até a chegada dos juízes corregedores. Ela disse que não haverá perseguição aos líderes do motim e criticou as condições de vida dos presos e de trabalho dos policiais. ‘‘Muitos presos não deviam estar aqui,’’ disse.
O preso Vanderlei Dias dos Santos, 21 anos, um dos três detentos que negociaram com os juízes, disse que não havia intenção de matar o refém chileno. ‘‘Ele foi um bonde para a gente sair daqui’’, disse. Dias dos Santos foi condenado a 11 anos de prisão por assalto a mão armada e está preso há mais de um ano e meio. Durante todo esse período, ele não viu um membro da família nem os raios do sol.
O preso reclamou da comida e do tratamento dispensado para todos os detentos, que muitas vezes têm que dormir no chão. ‘‘A gente tem que dormir no chão porque não há lugar’’, contou. ‘‘Dois dormem e dois ficam acordados’’. No final da tarde os policiais começaram a limpar os cubículos onde estavam os colchões incendiados.

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