Revivendo momentos importantes da vida
Londrina - A restauração dos objetos ajuda a contar parte do passado de determinados grupos e sociedades, ou mesmo que, façam um indivíduo reviver determinados momentos importantes de sua vida. O casal Lucinéia e Valdecir Ghiotto trabalha com restauração de pianos e móveis antigos. Quem entrar no estúdio deles se depara com vários espalhados na entrada do galpão. Um dos instrumentos é de 1875, um K. Bord, fabricado em Paris. Eles explicam que em alguns casos não é necessário a desmontagem de todo o piano, mas, em outros, isso é fundamental para um bom trabalho. Se houver infestação por cupins, por exemplo, é realizado todo um tratamento da madeira. As teclas amareladas têm seus revestimentos substituídos. O instrumento também é submetido a um trabalho de lixamento, aplicação de resina de poliuretano, várias demãos de base e depois o verniz. "Têm dias que ficamos com 15 pianos na oficina. Nós levamos cerca de 30 a 40 dias para entregar o piano para o cliente", destacou Valdecir.
Lucinéia revelou que vêm clientes de várias partes do Brasil. "Temos clientes de Florianópolis, São Paulo e de outras cidades como Florestópolis, Astorga e Cianorte", revelou. Ela afirmou que a atividade lhe dá um grande prazer, principalmente as mais deterioradas. "Já tivemos um cliente que não reconheceu o próprio piano depois da restauração e insistiu que aquele não era o dele. Pintamos o piano com uma pintura de laca preta que deixou o piano brilhante. Ele só se convenceu depois que falamos que cada piano tem o seu número de série. Ele ficou muito contente", destacou. Ela citou o caso de uma mulher que iria demolir a casa na Avenida São João e que pediu para restaurar todos os móveis. "A casa era antiga, de madeira, mas ela tinha o mobiliário completo, com cristaleiras, mesas, poltrona, cadeiras, poleiro, criados mudos. Os filhos, que moram nos Estados Unidos, queriam que a mãe jogasse tudo fora, mas ela pediu para a gente restaurar e os móveis agora irão para uma chácara que eles compraram".
Mas Lucinéia ressalta que já aconteceu de pessoas mandarem restaurar primeiro a parte de tapeçaria, para depois mandar restaurar a parte de madeira. "Quando é assim não fica um trabalho perfeito, porque nas bordas, depois de colocar uma fita adesiva, sempre fica uma marca. O ideal é fazer o contrário. Primeiro a restauração da madeira e depois a da tapeçaria', orientou. (V.O.)





