Curitiba - Uma das obras que estão sendo feitas dentro do Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, e que integram o plano de revitalização da unidade de conservação, provocou um dano considerado grave por ambientalistas. Uma das empreiteiras que trabalha dentro do parque destruiu a mata ciliar do Rio Quebra Perna para construir as cabeceiras de uma ponte. O Parque de Vila Velha, conhecido por suas formações rochosas que com o tempo adquiriram formas variadas, foi fechado em janeiro deste ano para receber obras de recuperação. A previsão é de que ele seja reaberto à visitação em outubro, quando completa 50 anos.
Segundo integrantes da Liga Ambiental, organização não governamental que participa do Conselho Gestor do parque, a gravidade do dano está no fato do ambiente destruído ser único e necessitar de várias décadas para se recuperar. Só os branquilhos, árvores nativas que existiam na margem do rio, levarão mais de 40 anos para atingir o tamanho que estavam ao ser arrancados.
Os ambientalistas calculam que cerca de meio hectare foi atingido pela destruição causada pela empreiteira. A área de floresta aluvial era considerada de preservação permanente por estar nas margens do rio. Além desse dano, os ambientalistas citam ainda que vários banhados foram drenados e áreas de campo foram soterradas.
A ponte que a empreiteira pretende construir fica numa estrada de cerca de seis quilômetros que liga os Arenitos às Furnas. Antes da revitalização, ao invés de estrada, o que existia era uma trilha e a ponte era pequena e de madeira. Como todo o transporte dentro do parque será feito através de um sistema único, que será concedido à iniciativa privada, optou-se por melhorar a estrutura do local. ''Mas é uma estrada incompatível com a condição do parque'', dizem os ambientalistas.
O secretário estadual de Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, confirmou que houve problemas na execução da obra. Segundo ele, ''a empreiteira se desviou da boa prática ambiental''. Por causa disso a obra foi embargada e a empreiteira responsável pela construção da ponte recebeu multa e teve que apresentar um plano de recuperação para a área atingida. Os trabalhos foram retomados esta semana e a previsão é de que o plano de revitalização esteja concluído até o mês de outubro, para a reabertura da unidade.

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