Dois anos e meio se passaram desde o início da reforma do Calçadão de Londrina, mas a revitalização completa ainda está longe de ser concluída. A previsão inicial da Prefeitura era que a obra estaria pronta no final do primeiro semestre de 2010.
O atraso incomoda frequentadores, que reivindicam que o trecho compreendido entre a Avenida São Paulo e a Rua Minas Gerais receba o mesmo cuidado dispensado aos trechos já reformados. As queixas mais recorrentes estão relacionadas à manutenção e à limpeza do local. Os buracos, as pedras soltas, as grades danificadas, as luminárias quebradas e a irregularidade do pavimento promovem, principalmente depois de dias de chuva, um festival de quedas no espaço, que são potencializadas pela sujeira deixada pelos pombos.
A auxiliar de vendas Beatriz de Souza trabalha o dia inteiro caminhando pelo local e relata que caiu inúmeras vezes devido aos buracos. ''O salto do sapato fica preso entre as pedras e não dá para andar. Fora isso existem várias pedras jogadas, buracos e o piso está todo irregular'', reclama. Opinião compartilhada por sua colega Ana Caroline Pessoa, que também pede uma revitalização semelhante à realizada nos outros trechos.
Para os comerciantes que atuam no trecho não reformado, o espaço não é valorizado como merece. Valdinei Penha, gerente de uma loja de eletrodomésticos, criticou o fato de não aparecerem empresas interessadas na licitação. ''O valor oferecido ou o prazo não devem estar condizentes com o que o mercado pede no momento'', avalia.
Gerente comercial de uma loja de celulares, Levi Cardoso diz que o que mais preocupa é se as obras serão realizadas novamente no segundo semestre, o que pode comprometer as vendas de fim de ano, como aconteceu em outros trechos reformados. ''Se eles começarem a obra agora, não conseguirão terminá-la antes de dezembro. Isso pode levar a nossa loja a ter uma queda no fluxo de clientes de no mínimo 30%'', aponta.
Para os frequentadores dos trechos reformados, a revitalização deixou o local mais limpo, mais aberto e mais fácil de se locomover. O agente de aeroporto Jacques Henrique Dias diz que o local ficou mais moderno. ''Retiraram vários telefones públicos desnecessários, removeram os quiosques e engraxates que ficavam no local e acabaram com os problemas de irregularidades no piso'', elogia. Ele alerta que, embora o local tenha ficado melhor, se não for bem cuidado pode se degradar como o antigo Calçadão.
Alguns problemas já podem ser vistos: dois bancos foram danificados por vândalos, o chafariz lança água para fora da área delimitada e tem 11 saídas entupidas. Os dois spots que deveriam iluminar o equipamento também estão quebrados. Grades de concreto de proteção das árvores também estão danificadas.
O comerciante Valdemar Moreno diz que o espaço ficou ''bonito, com floreiras e bancos'', mas adverte que ainda falta educação ao povo. ''Se a população não colaborar, o poder público não conseguirá manter tudo limpo e arrumado, por mais que tenha boa vontade'', argumenta.

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