A Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) deve recorrer à justiça esta semana para que uma área às margens do Córrego Sem Dúvida, no Conjunto Aquiles Sthenghel (Zona Norte) seja desocupada pelas cerca de 20 famílias que ocuparam irregularmente o local. No fundo de vale será desenvolvido um projeto de revitalização, que deveria ter sido iniciado ontem.
As famílias, porém, dizem estar dispostas a tudo para defender seus barracos. O projeto desenvolvido pela Cohab inclui a doação de 257 casas a famílias cadastradas até 2005, saneamento básico e energia elétrica, entre outras benfeitorias. Mas as 20 famílias que hoje ocupam as margens do córrego não foram contempladas.
A trabalhadora rural Marilza Costa Maciel, 35 anos, diz ter sido informada que por enquanto poderá transferir seu barraco para o terreno em frente. ''Eles disseram que talvez receberemos as casinhas numa outra ocasião. Provavelmente, na época da política. Antes disso, acho difícil'', avalia a mulher que vive ali há um ano, com marido e quatro filhos. Eles deixaram o Conjunto Maria Celina, também na Zona Norte, porque não conseguiam mais pagar o aluguel. No fundo de vale, as moradias são próprias, porém isentas das mínimas condições de higiene e segurança. Todas as famílias dividem o mesmo gato (obtenção clandestina de energia elétrica) e despejam a céu aberto o esgoto e lixo que produzem.
Mesmo assim, ninguém quer deixar a área. Para o mecânico Mauro Pereira da Silva, 37 anos, a promessa de futuramente receberem uma casa é mentira. ''Cheguei a perder emprego para frequentar as reuniões daqueles que seriam beneficiados. Agora, dizem que teremos de sair porque as máquinas vão derrubar tudo. Faltei ao trabalho hoje disposto a tudo. Se for preciso, boto fogo, mas não saio daqui. Quero ficar em paz!'', reclama o ex-morador do distrito de Guaravera.
Conforme Rosalmir Moreira, presidente da Cohab-Londrina, essas famílias chegaram ao local oportunamente depois que o cadastro estava feito. Outras já foram beneficiadas em outras ocasiões, mas desfizeram-se do imóvel. ''Precisamos avaliar caso a caso e estudar a melhor solução para todos'', resumiu. Segundo Moreira, os casos serão estudados um a um, mas os prazos do projeto têm que ser cumpridos. ''Se não for possível uma solução amigável, vamos entrar com a reintegração de posse.''

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