Sem dinheiro para suprir suas necessidades mínimas, o Instituto de Criminalística (IC) de Londrina acredita que a desvinculação da Polícia Civil é a solução para acabar com a crise. Segundo o presidente da associação da categoria, Jaime Cazarote Júnior, há cinco anos a compra de material de consumo do órgão é paga com a publicidade de uma revista bimestral. ‘‘Até o papel higiênico fica por nossa conta’’, acrescentou.
Segundo Júnior, é graças a esta colaboração que o IC de Londrina se tornou uma referência nacional. Até hoje, ele é o único órgão capaz de fazer a comparação de voz, resgate de imagens e outros exames de aúdio e vídeo no Estado. O confronto balístico, que era um dos destaques, ficou restrito à capital porque o microscópio comparador está deteriorado há quatro meses.
A situação do IC no Paraná só não é pior porque a mão-de-obra é qualificada. Júnior disse que em outras regiões a precariedade do órgão é bem maior. ‘‘A diferença é tão grande que se pararmos de investir hoje os outros levarão 15 anos para chegar onde estamos. Infelizmente, esse é o limite. Para darmos um salto de qualidade é preciso, pelo menos, R$ 500 mil, mas sem ajuda do governo é impossível’’, alegou o perito.
O Instituto de Londrina atende mais 92 cidades do norte paranaense e para isso conta com três carros, sendo dois alugados. O combustível é pago pelo Estado, mas a alimentação não. ‘‘Se o governo realmente não tivesse dinheiro seríamos obrigados a nos conformar, mas não é verdade. A primeira parcela do Plano de Segurança Nacional destinada à polícia técnica do Estado vai ser distribuída apenas em Curitiba. Isso não é justo’’, disse o diretor da Associação dos Funcionários do Instituto de Criminalística e Instituto Médico-Legal, Geraldo Gonçalves de Oliveira Filho.
As assessorias do secretário de Segurança Pública do Estado, José Tavares, e do delegado geral de Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, negam essa informação. Segundo Ribeiro, R$ 1,8 milhão já foi liberado e os equipamentos requisitados pelos dois Institutos de Londrina já foram licitados. ‘‘Vamos atender primeiro as prioridades. Se elas estiverem em Curitiba é por lá que começaremos. A verdade é que não podemos deixarmos a capital desguarnecida’’, explicou.
Quanto à idéia de desvinculação da Polícia Civil, Tavares disse que não tem nada contra, já que de qualquer forma os órgãos ficarão subordinados a ele. ‘‘Tenho assunto mais importante para me preocupar’’, disse através de seu assessor de imprensa.

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