Entre 30 e 50 presos provisórios da Casa de Custódia de Londrina (CCL) se revoltaram no final da manhã de ontem por causa de uma revista realizada momentos antes e, por algumas horas, se negaram a voltar para sua ala. No pente fino, os agentes penitenciários haviam descoberto e apreendido serras, brocas e pedaços de ferro numa das celas. Este foi o segundo plano de rebelião ou fuga descoberto nos últimos dez dias na unidade.
Conforme o vice-diretor da CCL, Adilson Barbosa de Souza, a revista realizada ontem pela manhã na galeria um fazia parte do plano de segurança da unidade e também porque no dia de Natal os agentes flagraram presos do mesmo setor serrando as grades da cela. Naquela ocasião, foram apreendidas brocas e serras que entraram na unidade além de pedaços de ferros que foram retirados de pilastras.
Ontem, mais uma vez, os funcionários encontraram em um cubículo onde estavam seis presos outra quantidade das mesmas ''ferramentas'', que poderiam ser utilizadas numa tentativa de rebelião ou plano de fuga. Nenhum dos internos da cela assumiu a posse de material. Eles estavam no pátio de sol junto com dezenas de presos e todos se recusaram a retornar para as celas.
Cerca de 100 pessoas, que estavam em outros pátios também insinuaram uma adesão mas todos acabaram desistindo com a chegada do Pelotão de Choque da Polícia Militar, que agiu com firmeza sem recorrer à violência, em estratégia de ação considerada eficiente. A CCL instaurou uma sindicância para apurar como os objetos chegaram até os presos.
O vice-diretor descartou totalmente o envolvimento de facções nos dois episódios, até porque os presos da galeria um não são considerados de alta periculosidade. Souza comentou que depois do acordo de paz firmado entre líderes das gangues da Zona Oeste, no ano passado, a cadeia vive um período de muita tranquilidade. Ele considerou que ambos os incidentes refletem a pouca idade dos presos de hoje, que são mais jovens e mais ansiosos do que uma década atrás. ''Quando entrei no sistema, a maioria tinha 30, 35 anos. Hoje, eles têm 20, 25 e são mais impacientes, eufóricos'', comentou.
Souza também considerou a superlotação acaba contribuindo para que aconteçam atritos'', emendou. Por causa da confusão, os agentes realizaram uma varredura em todas as galerias com o apoio do Pelotão de Choque.

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