Especial para a Folha
As inspeções em busca de armas e drogas, feitas em alunos de escolas públicas de Curitiba e Região Metropolitana pela patrulha escolar da Polícia Militar são ilegais e proibidas pelo Estatuto da Criança e Adolescente. A opinião é do presidente da seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná (OAB/PR), Edgard Albuquerque, para quem ‘‘os revistados sofrem constrangimento público’’.
Albuquerque alega também que a medida é ineficiente, ‘‘pois os traficantes continuam na esquina’’. O que precisa ser feito, na sua avaliação, é intensificar o policiamento nas vias públicas. Anteontem à noite a polícia revistou alunos nas escolas Genésio Moreche, Jardim Monza e Altair Lacerda Braga, todas em Colombo, num total de 2.351 alunos. Segundo o soldado da 4ª Companhia de Polícia Militar de Colombo, Sérgio Mijuhiro, a revista foi feita por solicitação dos diretores das escolas e de acordo com mandado judicial do juiz da comarca de Colombo, Marcos Antonio Frason.
Durante a inspeção, os policiais usam detectores de metal para procurar armas e objetos cortantes. A operação apreendeu 17 armas brancas (canivetes e estiletes) além de 22 objetos cortantes, como tesouras com pontas e canetas com apontadores de lâmina. Ninguém portava drogas e não houve nenhuma detenção. Mijuhiro afirma que os 21 policiais militares que participaram da ação nas escolas foram acompanhados por profissionais do Conselho Tutelar de Colombo e comissões de menores. Foi a primeira vistoria feita no município.
Para Edgard Albuquerque até mesmo as revistas policiais feitas em passageiros nos terminais de ônibus ferem o direito do cidadão, por causarem constrangimento público. ‘‘Vivemos praticamente uma guerra civil e estamos sujeitos a todo tipo de violência. A tropa precisa ser posta na rua, como aconteceu durante a Eco 92, no Rio de Janeiro, quando acabou-se temporariamente com o banditismo’’, diz ele.
Balanço do Comando de Policiamento da Capital aponta que de fevereiro a abril foram feitas 3.064 ‘‘visitas’’ a 187 escolas da rede estadual de Curitiba, numa média mensal de 1.021. No mês passado foram apreendidos um revólver e seis armas brancas (quatro facas, um canivete e um soco inglês). Também foram encontradas três buchas de maconha, mas nenhuma droga mais pesada.

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