Policiais militares do Batalhão de Choque realizaram uma revista nos cubículos da Casa de Custódia de Londrina (CCL) e encontraram brocas, serras, estoques, chave de algema improvisada e uma pequena porção de maconha. Essa foi a primeira revista depois de 90 dias na unidade, que ontem abrigava 402 presos. Na última semana, a direção da CCL recebeu informações anônimas de que havia possibilidade de fuga de internos nos próximos dias.
Segundo o diretor da CCL, major Edison Marcos Tomaz, com o material encontrado nas celas, os presos poderiam romper as paredes e conseguiriam chegar até o pátio interno da unidade. Porém, segundo ele, dificilmente teriam sucesso em transpor os dois alambrados e a muralha onde fica a guarda externa, que é feita pela PM.
Nos cubículos, os policiais apreenderam uma broca articulável, sete pedaços de serra, dois estoques de metal um de alumínio e outro de ferro , dois cabos de escova de dente pontiagudos e uma chave de algema improvisada em material plástico. ''Com essa chave, o preso poderia tentar fugir quando estivesse sendo transportado para o Fórum ou para algum outro local'', comentou o major. Além do razoável arsenal, foi apreendida uma pequena porção de maconha. Um preso foi autuado e conduzido para 4º Distrito Policial para prestar esclarecimentos.
Tomaz explicou que boa parte do material entra na unidade no corpo dos próprios presos ou de visitas. Um dos métodos mais usuais é introduzir esses materiais no ânus ou na vagina. Radiografias tiradas à pedido da própria CCL já comprovaram essa metodologia. Outro artifício usado pelos presos é conseguir pedaços de ferro de dentro da própria unidade, que são arrancados principalmente das paredes.
A lotação da CCL ontem era de 402 presos, mas sua capacidade real é de 288. Mesmo assim, o major disse que a superlotação não facilita a entrada de objetos e drogas na carceragem.
A Casa de Custódia completa dois anos em novembro deste ano. Nesse período, foram registradas duas fugas. A primeira ocorreu em janeiro do ano passado, menos de dois meses após a inauguração. Um preso conseguiu escapar mas foi recapturado minutos depois. Em março do mesmo ano, quatro presos arrebentaram as grades de uma cela, escalaram um muro usando um fio de pára-raios e fugiram.

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