Mesmo sendo um serviço oferecido gratuitamente na maioria das oficinas mecânicas de Londrina, a revisão de veículos não é um costume de pelo menos 50% dos motoristas da cidade e vem se reduzindo em até 40% nos últimos três anos. Hábito que pode garantir uma viagem tranquila para toda a família e que denota responsabilidade com si mesmo e com os outros motoristas, a preocupação com o bom estado do veículo, em tempos de crise, se transformou em medida emergencial, de acordo com mêcanicos consultados pela reportagem da Folha neste final de ano.
Nem mesmo a proximidade com as férias, que a princípio deveria atrair mais clientes às oficinas para a realização das revisões para viagens, faz o motorista londrinense ficar mais cuidadoso. Apesar da melhora no movimento em sua oficina em dezembro, o gerente do centro automotivo Nissei, Roberto Asada, conta que o costume de se realizar vistorias no carro vem decrescendo. ''Antes nossos clientes traziam os carros e faziam a revisão completa, trocando e arrumando tudo que fosse necessário. Agora só é feito o essencial, como alinhamento, balanceamento e troca das pastilhas de freio'', diz.
E mesmo quando as revisões são realizadas, nem sempre tudo o que deve ser feito acaba entrando no orçamento dos proprietários dos veículos. ''Os clientes se comportam de forma muito variada, mas no geral, só fazem o estritamente necessário para manter a segurança'', acredita o proprietário da oficina Autobacks, Leandro Camargo.
Como o serviço, além de ser gratuito, é feito de forma rápida e simples, o atendente da Stop Car, Gilberto Moro, acredita que o londrinense está abandonando o costume de avaliar seu carro por preguiça. ''E o pior é que muitas vezes só são necessárias trocas simples e baratas, mas que podem acarretar problemas que estragam toda a viagem.'' Como exemplo, Moro cita a revisão dos pivôs, componentes da suspensão que, quando velhos, podem fazer com que a roda se solte do eixo. ''E se isso acontecer na estrada, a família toda fica nas mãos dos anjos'', brinca.
A responsabilidade, no entanto, parece estar vinculada aos cuidados com os familiares e mostra que quem faz revisão viaja tranquilamente. É o caso do técnico em contabilidade Pedro José Jacoby, 50 anos, que acabou de comprar uma pick-up e já a levou para os serviços normais de alinhamento e balanceamento. Jacoby pretende levar sua mulher e filhos para Toledo (Oeste do estado), e prefere evitar contratempos. ''Assim não tenho dor de cabeça. Dirijo há quase 30 anos e nunca fiquei parado na estrada. Acho que sou cuidadoso'', afirma.
Quem também leva o carro para revisões regulares é o comerciante Evandro Toshio, 21, que pretende visitar amigos no litoral norte de São Paulo. ''Tento fazer só o essencial, mas evito deixar o carro acumular defeitos para que não fique muito caro'', conta. Mas motorista exemplar, talvez até com um pouco de exagero, seja o representante comercial Maurício Nunes Melo, 30, que viaja cerca de 10 mil quilômetros por mês a trabalho. ''Levo o carro para revisar toda semana e graças a isso nunca fiquei parado na estrada'', garante.

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