A revisão do Plano Diretor do município, que está sendo iniciada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL), é vista com preocupação pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB)/Núcleo Londrina. Segundo o vice-presidente do instituto, Fausto Lima, o grande receio fica por conta de quem integrará a comissão responsável pela discussão do documento. ''As pessoas que vão discutir o Plano Diretor representam entidades e interesses corporativos ou coletivos. Discutirão questões técnicas, mas nem todos são técnicos'', afirma.

Entre as entidades que farão parte da comissão estão as universidades, Câmara de Vereadores, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Secretaria Municipal e Obras, IPPUL e Conselho Municipal de Planejamento Urbano de Londrina (CMPU), entre outros. Lima, que também é conselheiro do CMPU e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que é preciso isenção por parte dos integrantes da comissão, para que se discuta a cidade como um todo, e não em lotes, como acontece com frequência no município.

Na opinião do professor, o Plano Diretor de Londrina é avançado e bastante completo. Segundo Lima, o Estatuto da Cidade, lei federal que estabelece diretrizes gerais da política urbana, está contido no documento. ''O problema é que o Plano nem sempre é respeitado e não foi totalmente implementado. Se isso fosse feito, muitos dos problemas hoje existentes na cidade seriam evitados, como por exemplo os pólos geradores de tráfego.'' O arquiteto critica o fato do Plano Diretor estar sendo aplicado apenas parcialmente e já ser iniciado o processo de revisão.

O presidente do IAB, Humberto Yamaki, também demonstra preocupação com a falta de discussões sobre os rumos dos aspectos urbanísticos da cidade. Ele lembra que existem 508 arquitetos em Londrina, e pouco se fala sobre o assunto. ''É o chamado silêncio cúmplice'', diz. Esta semana, a Folha publicou uma carta de Yamaki manifestando solidariedade aos moradores do Bairro Shangri-lá pela ''agressão que vem sofrendo pela insensatez dos órgãos de planejamento e alguns empresários''.

Para o presidente do IPPUL, Jurandir Guatassara, falar sobre legislação não é prerrogativa exclusivamente técnica. ''Toda a cidade tem que participar. É lógico que vamos precisar de um corpo técnico para montar a proposta preliminar, e para isso contaremos com órgãos da prefeitura'', defende. De acordo com Guatassara, a afirmação de que a revisão na legislação do Plano Diretor não está sendo feita por técnicos é ''no mínimo infundada''.

O diretor do IPPUL afirma que o momento é adequado para a revisão porque nestes quatro anos de implementação têm sido percebidos pontos que sugerem dupla interpretação, e a comunidade externa tem feito sugestões de mudança. Além disso, a dinâmica da cidade tem exigido algumas adequações. Para completar, segundo Guatassara, há a necessidade de abrigar na legislação municipal o recente Estatuto da Cidade.

Hoje à noite, o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL) promove uma explanação sobre o processo de revisão ao Plano Diretor do município, com participação de Jurandir Guatassara. A reunião é aberta à comunidade.

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