Vinte meses após o julgamento que movimentou Campo Mourão e absolveu a viúva Patrícia Vecchi de Oliveira, 21 anos, da acusação de ter mandado degolar o marido, o fazendeiro Windsor Teodoro de Oliveira (na época com 21 anos), uma reviravolta no caso volta a incriminar a viúva. Na sexta-feira, uma acareação no Fórum fez com que, pela primeira vez, a ex-empregada doméstica do casal, Suely de Fátima da Conceição, 26 anos, acusasse a patroa. Além disso, a Justiça tem em mãos o nome de um suposto assassino de Windsor: Antônio Santana, 26 anos.
A reviravolta no caso começou com uma informação dada por um preso na cadeia de Maringá, Fernando Ribeiro, 35 anos. Ele disse que Santana teria afirmado na frente de outras testemunhas que era o autor do assassinato do fazendeiro e que teria matado Windsor a mando de Patrícia, sob a promessa de receber R$ 10 mil. Em depoimento, Santana negou que tivesse feito tais afirmações, mas Suely admitiu que ele foi visto duas vezes na casa do fazendeiro em reuniões com Patrícia. Foram essas controvérsias que levaram a Justiça a realizar a acareação.
Na frente da ex-patroa, Suely disse que sabia que Patrícia era a mandante do crime, mas que se manteve calada durante todo o tempo porque era ameaçada e tinha medo de ser morta. Ela também disse que outro empregado do casal, Pedro Máximo da Silva, o ‘‘Bicudo’’, 28 anos, recebeu dinheiro da viúva para ficar quieto e que ele havia prometido contar a verdade só se fosse condenado. Suely e Bicudo foram absolvidos no mesmo dia que Patrícia. Os três ficaram presos de junho de 95 até o julgamento, um ano depois.
FacãoRibeiro e Santana também participaram da acareação. O primeiro confirmou que ouviu Santana dizer que era o autor do assassinato. O segundo negou tudo. Patrícia manteve a versão de sempre. Disse que na noite do crime dormiu em quarto separado do marido porque havia discutido com ele naquele dia e não ouviu nada porque estava chovendo muito. O fazendeiro foi degolado na própria cama, enquanto dormia, na noite de 19 de outubro de 1994. Ribeiro, porém, chegou a contar detalhes que teriam sido narrados pelo próprio Santana.
Segundo Ribeiro, Santana lhe contou que ficou escondido num quarto da casa de Windsor desde o final da tarde. Ele teria contado também que enterrou o facão usado no crime ao lado de uma árvore no quintal da casa dele. Ainda na sexta-feira à noite uma equipe da polícia foi até o local onde estaria a arma, mas nada foi encontrado. Assim como Ribeiro, Santana também está preso, mas pela acusação de envolvimento com entorpecentes. Não é a primeira vez, no entanto, que Antônio Santana aparece no ‘‘Caso Windsor’’.
Foi somente através dele que a polícia começou a desvendar o caso, no final de maio de 95. Santana foi encontrado com um revólver que pertencia a Windsor e que havia desaparecido na noite do crime. Na época, ele disse que comprou a arma de Bicudo. Foi assim que Bicudo acabou preso e acusou Patrícia e Suely. Pouco tempo depois, ele mudou a história, mas os três continuaram presos até o julgamento. Perante o júri, Bicudo disse que só confessou o crime à polícia porque havia sido torturado.
Nova prisãoApesar dos três terem sido absolvidos há 20 meses, o processo nunca foi encerrado, uma vez que a Promotoria recorreu da sentença. Além disso, um quarto acusado, Flávio Passadore, 25 anos, não foi julgado porque fugiu quando teve prisão decretada. Ele é acusado de ter tramado a morte de Windsor, de quem era amigo, juntamente com Patrícia. Agora, a Justiça aguarda o depoimento de uma outra pessoa que teria ouvido Santana confessar o crime. Dependendo do resultado, a viúva pode ter nova prisão decretada.
O promotor Guilherme Maranhão Sobrinho chegou a pedir a prisão de Patrícia ainda antes da acareação, mas o pedido foi negado sob o argumento que aquele não era o momento adequado. Além da brutalidade do crime - Windsor teve a cabeça separada do corpo enquanto dormia -, o caso teve grande repercussão porque envolveu duas das mais tradicionais famílias de Campo Mourão. Tanto Windsor quanto Patrícia pertencem a famílias de conhecidos fazendeiros e antigos mandatários políticos do município.

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