Depois de uma longa espera, o Revia, medicamento utilizado no combate ao alcoolismo, chega hoje às farmácias de Curitiba. A nova droga está sendo anunciada como uma aliada contra a doença, que atinge cerca de 10% da população brasileira. Mas o remédio não pode ser visto como uma solução única e mágica, segundo especialistas. Quem quiser fazer uso do medicamento terá primeiro de consultar um médico que, antes de receitá-lo, deve prescrever uma série de exames.
O Revia é uma droga que atua no cérebro, reduzindo a vontade de beber e diminuindo a sensação de prazer do indivíduo ao ingerir álcool. Receitando há dois anos o remédio - antes importado dos Estados Unidos - a pacientes de consultório, o psiquiatra Luiz Renato Carazzai, que também atua no Serviço de Psiquiatria do Hospital de Clínicas de Curitiba, diz que os resultados têm sido satisfatórios. ‘‘Há pessoas que estão em fase de abstinência e outras que vêm reduzindo o consumo’’.
Mas Carazzai alerta que as pessoas não podem apenas tomar o Revia acreditando que é uma saída milagrosa para o alcoolismo. Segundo ele, o remédio é indicado para pacientes que já estão em tratamento, como terapias, e que têm vontade de parar de beber.
Carlos Fiorucci, presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen), tem a mesma opinião. Para ele, o Revia é mais um recurso terapêutico, que não tem o poder de eliminar sozinho o alcoolismo, uma doença crônica e de múltiplas causas. ‘‘No alcoolismo temos fatores emocionais e sociais’’, lembra. Segundo Fiorucci, mais importante que tomar o remédio, é o alcoolista ter disposição para abandonar a bebida.
O uso do Revia exige uma série de cuidados. Como o medicamento é metabolizado no fígado, os pacientes precisam fazer uma avaliação do órgão. Para isso, os médicos devem solicitar a realização de três a quatro exames que dosam as enzimas do fígado. Segundo Carazai, esses exames são simples e podem ser realizados pelo SUS.

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