O motorista que procura uma vaga para deixar seu carro durante o dia em algumas ruas de Londrina precisa contar com muita sorte. Isso porque as revendas e revendedores autônomos de veículos usados chegam logo pela manhã, ocupam as vagas disponíveis em vias públicas para expor seus produtos e só liberam o espaço já no início da noite.
Em vários endereços da cidade é possível encontrar flagrantes dessa conduta, no mínimo, questionável. Na Zona Norte, a prática é comum na Avenida Saul Elkind. Na Área Central, quarteirões inteiros de ruas que concentram o comércio de carros usados como a Uruguai, Jorge Casoni, Duque de Caxias, Santa Catarina e Brasil são monopolizados por particulares. Nem mesmo vias importantes e com tráfego intenso como a Higienópolis, JK e 10 de Dezembro estão livres do problema.
A Folha percorreu alguns desses endereços anteontem mas quase ninguém das revendas aceitou conversar. O proprietário de um estacionamento argumentou que muitas das vagas estariam sendo ocupadas por revendedores autônomos que chegam antes das lojas abrirem, estacionam os carros que têm à venda e só liberam a vaga no final da tarde, depois que o comércio fecha. ''A prefeitura tinha que dar o mesmo tratamento que é dado aos ambulantes que, quando são pegos, têm suas mercadorias apreendidas'', apontou.
Ele reclamou que as revendas estabelecidas sofrem com isso porque pagam impostos e funcionários mas têm que disputar clientes com esse pessoal, que conseguer oferecer carros por valores mais baixos. O comerciante admitiu que estaciona apenas alguns carros em via pública mas justificou que estes veículos servem para circulação de funcionários e não permanecem parados o dia todo nas vagas.
Para quem tem outro tipo de comércio nestes endereços o que sobra é indignação e prejuízo. Dono de uma casa agropecuária na Rua Santa Catarina, Oswaldo Koiti Kato, disse que por causa do transtorno e pelas reclamações constantes de clientes pediu autorização para passar as vagas próximas à sua loja para área de carga e descarga mas não conseguiu. Ele disse que tem apelado até para candidatos. ''Quem vem pedir voto aqui peço para me ajudar indo conversar com os donos dos estacionamentos mas ainda não achei ninguém que comprasse essa briga'', brincou.
Cliente de Kato, o criador de aves Moacir Martins de Oliveira, teve que estacionar sua camionete a três quarteirões da loja porque não achou vaga. ''Aqui nessa região é sempre esse sofrimento e ninguém faz nada'', irritou-se.

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