Réveillon no Barigui depende da Justiça
Maigue Gueths
De Curitiba
Ambientalistas e associações de moradores deram ontem mais um passo no sentido de impedir que a festa de réveillon de Curitiba seja realizada no Parque Barigui. As entidades, entre elas a Associação dos Moradores e Amigos do Barigui, entraram ontem de manhã com ação na 1ª Vara da Justiça Cível solicitando o cancelamento da festa no parque e sua transferência para outro local da cidade. Independente das reações contrárias, a Prefeitura de Curitiba continua com os preparativos para a festa e planeja iniciar a instalação do palco no Barigui já neste final de semana ou início da próxima. A Procuradoria de Justiça Municipal tem 72 horas para se pronunciar.
Segundo o secretário Municipal de Esportes e Lazer, Adalberto Medeiros, a Prefeitura está confiante de que a festa não será transferida e, por isso, nem pensou em um local alternativo, caso as decisões judiciais obriguem à mudança da festa. Ao lado da Prefeitura, está o laudo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) feito em conjunto com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), entregue ontem ao promotor de Proteção ao Meio Ambiente, Sérgio Luiz Cordoni.
No laudo, os institutos não se opõem a realização da festa no Barigui. Caso este fosse o único lugar a ter fogos, ainda se explicaria, mas esta é uma festa mundial e todos estarão estourando fogos para comemorar a virada do século, diz Luiz Antônio Nunes de Melo, representante do Ibama no Paraná. Para ele, a preocupação dos ambientalistas é válida, mas é exagerada. Ele lembra que o meio ambiente do parque também sofreu impactos com a construção de casas e ocupação ao seu redor, mas não aconteceu nada. Melo põe em dúvida, ainda, um laudo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), anexado à ação judicial das entidades. O laudo só diz que aves em extinção já foram vistas no Parque, mas não afirma se estas aves vivem lá ou se estavam apenas em rota migratória, diz.
Segundo o advogado Vitório Sorotiuk, que representa as entidades contrárias ao réveillon no Barigui, o pedido judicial baseia-se em três argumentos: o descumprimento do Decreto municipal 471 que em seu artigo 1º define as finalidades do Parque, o fato de tratar-se de área residencial e, ainda, no laudo da SPVS. O laudo, baseado em dados fornecidos pelos ornitólogos Marcos Ricardo Bornschein e Bianca Luiza Reinert, diz que no Parque já foram observadas algumas espécies oficialmente ameaçadas de extinção. São estas o gavião-bombachinha, o pavão-do-mato e a tesourinha-da-mata. Esclarece, ainda, que o uso de fogos-de-artifício poderá assustar grande número de aves, que podem acabar morrendo.Moradores e amigos do Parque Barigui entraram com ação na 1ª Vara Cívil contra o Réveillon 2000 da Prefeitura
Arquivo FolhaEM DEBATEA proposta de réveillon no Parque Barigui está sendo um dos pivôs de uma polêmica entre a prefeitura e a municipalidade





