Os fogos de artifício são tradicionalmente muito utilizados nesta época de comemoração de passagem de ano e em Londrina muita gente deixou para adquirir os rojões para o último dia de 2017. Para outro comerciante de fogos de artifício, Bruno Henrique Piccoli, foi um ano de recuperação. "Foi bem melhor que o ano passado. Não chegou a duplicar as vendas, mas é que o ano passado foi um ano péssimo. O pessoal que veio nos dias 28 e 29 comprou mais bateria, ou seja, quem vem antes gasta mais. No dia 31 vendemos mais miudezas", destacou.

A comerciante desse tipo de material, Ivone dos Santos Chieffi, trabalha com fogos de artifício desde 1966 e relata que a chuva atrapalhou um pouco as vendas. "O movimento foi mais ou menos não só por causa da chuva, mas por causa da crise também. Muita gente falou que o ano foi difícil e que está todo mundo sem dinheiro. Além disso, como o último dia do ano caiu em um fim de semana, muita gente aproveitou para viajar", declarou. Mesmo assim muita gente deixou para fazer as compras de última hora. Foi o caso do professor Ederson Barros que faz questão de adquirir os artefatos para comemorar a passagem de ano. "Foi de última hora, mas comprei. Eles proporcionam uma emoção a mais na virada de ano. A gente acompanha os fogos lançados por outras pessoas, mas é mais legal ter a sua própria queima em casa. A minha família adora", afirma Barros.

Segundo ele, a aquisição dos fogos é uma forma de não deixar a data passar em branco. "Esses fogos geram muita emoção, muita alegria. Compro eles há cinco anos. Começamos com pouquinha coisa e a cada ano fomos aumentando mais", destacou Barros. O conferente Gian Marcos também comprou os rojões para a última hora. "Para mim os fogos de artifício significam diversão. Gosto deles e compro desde criança. Eu acho os coloridos bonitos, mas prefiro aqueles que fazem mais barulho. Acho mais legal porque a gente está acostumado a brincar com isso desde pequeno", destacou. No entanto muitas pessoas estão irritadas com esses fogos.

O site Petição Pública (peticaopublica.com.br) possui mais de 50 pedidos para o fim dos rojões com barulho. Nas redes sociais não é difícil achar fotos publicadas por pessoas que tiveram seus animais de estimação com ferimentos em função do desespero causado pelos barulhos gerados pelos fogos de artifício. Uma delas, publicada por uma moradora de Londrina, mostra várias manchas de sangue espalhadas pela casa porque a cadelinha dela se cortou ao tentar fugir dos barulhos durante o Natal. Para combater esse tipo de ocorrência, em vários municípios foram criadas leis de fogos sem barulho em respeito aos idosos, enfermos, crianças e animais.

Nos municípios paulistas de Bauru, Campinas, Campos do Jordão, Ubatuba, Ilhabela e Matão e nos municípios mineiros de Alfenas e Estiva foram proibidos os fogos de artifício com estampidos. Em Santos, uma lei foi aprovada no início de 2017 com esse mesmo teor, mas está suspensa desde 15 de maio devido a uma liminar obtida por fabricantes. Há um projeto de lei do deputado Ricardo Izar (PP-SP) propondo o fim dos fogos de artifício com barulho em todo o País. Para Bruno Piccoli, por mais que tenham pessoas contra, cada um tem o direito de se divertir da sua forma. "O assunto é polêmico. Não gosto de entrar nessas discussões , pois acho que é um assunto como religião e política. Quem tem sua opinião sobre isso não vai mudar", apontou. Segundo ele, existem violências maiores contra os animais que os fogos de artifício.

"Todo ano todo mundo faz churrasco, come um monte de peixe e isso gera o abate de muitos animais. E os fogos duram apenas quinze minutos. A porcentagem de acidentes por causa dos fogos é mínima. Eu tenho cachorro, mas nunca aconteceu nada com ele. Os fogos representam a felicidade, alegria", argumentou o comerciante.

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