Curitiba - A reunião entre o Ministério Público do Trabalho e representantes de entidades que prestam assistência a crianças e adolescentes em Londrina e Foz do Iguaçu, ontem pela manhã em Curitiba, resultou em um documento que pode melhorar a vida de adolescentes em situação de risco. Um documento com uma série de sugestões para melhorar o atendimento aos adolescentes será encaminhado ao governo do Estado. O Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil, tambémpretende entregar o documento a representantes dos candidatos ao cargo de governador do Estado, em reunião na próxima segunda-feira.
A suposta lista contendo 30 nomes de menores de Londrina que estariam jurados de morte e uma denúncia anônima recebida pela procuradora do Ministério Público do Trabalho, Margaret Matos de Carvalho, de que cerca de 400 adolescentes até 21 anos teriam sido mortos em Foz do Iguaçu desde o início do ano passado, foram os temas mais polêmicos em pauta da reunião.
Entre as propostas que serão apresentadas ao governo estão a inclusão dos adolescentes ameaçados em programas de proteção a testemunhas, aumento de oferta de vagas em centros de tratamento de drogas, elaboração de programas educacionais fora das salas de aula para crianças entre 7 e 14 anos e incrementos de programas de qualificação profissional, entre outras.
''Essa lista de 30 nomes não tem a menor importância. Se tiver uma só criança ameaçada já é nossa função evitar'', disse Márcio Filla, membro do Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolecente e diretor do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) de Londrina. A promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria de Paula, também afirmou desconhecer a lista, mas lembrou que seis menores citados já haviam sido mortos, o que poderia ser um indício de que a lista possa ser verdadeira.
Segundo Filla, só este ano foram registrados 25 homicídios de adolescentes em Londrina, alguns com requintes de crueldade. Destes, pelo menos 70% tinham relação com o tráfico de drogas. Já em Foz, de acordo com o secretário municipal da Criança, João Pereira Sodré, desde o início do ano houve 18 mortes de menores. Além dos membros do Conselho Estadual dos Direitos da Criança, representantes do Fórum para a Erradicação do Trabalho Infantil também participaram da reunião, uma vez que a prostituição e tráfico são enquadrados como trabalho dos menores.
Para a reunião de ontem, o Ministério convocou representantes de diversos municípios, mas apenas Londrina e Foz participaram. ''São dois municípios que tiveram coragem de discutir estes assuntos e estão trabalhando para resolver o problema, mas viram que só a política pública municipal não é capaz de resolver. Por isso estamos trazendo o assunto para uma discussão em âmbito estadual'', afirmou Margaret.

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