Reunião sobre violência não teve consenso
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quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Emerson Dias<br> Reportagem Local 
Desentendimentos marcaram o maior encontro realizado para discutir a violência em Londrina. Polícias Civil e Militar, peritos do IML e do Instituto de Criminalística, representantes dos Conselho e Fórum Comunitários de Segurança, juízes e promotores das varas Criminal e de Infância e Juventude, todos trocaram acusações sobre a responsabilidade do aumento da violência, que envolveu ainda a supervalorização dos fatos pela imprensa e a ineficiência das forças policiais em isolarem locais dos crimes (leia matéria ao lado).
A reunião foi realizada às 10 horas de ontem no Fórum local, mesmo horário em que ocorreu um tiroteio na zona leste da cidade (leia matéria nesta página). A promotora da Vara de Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, iniciou a discussão destacando que o índice de criminalidade ''aumentou demais'' e lamentou que estivesse havendo confusão junto à comunidade sobre a rápida liberação de menores infratores (a internação provisória é de 45 dias). ''É falsa a imagem criada de que a polícia prende e a promotora solta'', criticou.
Édina levantou ainda a suspeita de que quadrilhas de grandes centros estão se estabelecendo em Londrina. ''O pessoal de um bairro disse que estariam vindo bandidos do Rio de Janeiro para a cidade. Gente que os moradores não conhecem.'' O promotor da 1 Vara Criminal de Londrina, Eduardo Diniz Neto, inseriu na discussão a influência de quadrilhas em diversas regiões da cidade. ''O 'Estado Paralelo' já foi identificado em alguns bairros. Temos casos de famílias que precisaram se mudar depois de ouvirem ameaças'', afirmou.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, não concordou com os promotores, destacando que a mídia estaria influenciando as ações de jovens infratores. ''Não temos dados de criminosos vindos de outros estados e não temos poder paralelo na cidade. A imprensa precisa parar de exibir casos como roubo a ônibus e mostrar para as crianças que o crime não compensa'', comentou André.
O delegado-chefe da 10 SDP, Pedro Colaço, destacou que ''nada de efetivo estava sendo feito'' por parte dos órgãos que atendem menores e adolescentes. A secretária de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, contestou a afirmação. ''Estamos atendendo 170 crianças nas ruas, além de desenvolvermos projetos que oferecem 756 vagas aos jovens do bairro (...). Eu quero saber onde estão os levantamentos sobre os casos envolvendo menores infratores'', questionou.
Ao final do encontro, ficou decidido que todos os setores envolvidos deverão fazer um relatório apontando a real situação dos jovens na criminalidade local. ''Os menores não são a primeira causa da violência na cidade. Vamos discutir isso em cima de números no próximo encontro'', disse Édina.


