Osmani Costa
De Londrina
A assembléia realizada na tarde de ontem para analisar e votar a prestação de contas do presidente do Centro de Trabalho Social e Atendimento ao Idoso de Londrina (Centrasil), Jonas Emiliano Guimarães, aconteceu sob clima de tensão e terminou suspensa devido a um tumulto. Guimarães é acusado de improbidade administrativa, desvio de verbas para benefício próprio, não-prestação de contas ao conselho fiscal e de alterações irregulares no estatuto da entidade.
Uma nova assembléia, para votar especificamente a cassação ou manutenção de Guimarães no cargo, foi marcada para a próxima segunda-feira, na sede do Centrasil, na Vila Nova (área central da cidade). A assembléia de ontem, que durou cerca de duas horas, contou com a presença de cerca de 100 associados. Ela estava sendo coordenada pelo presidente do conselho fiscal, Pedro Sanches, e pela secretária-geral do centro, Maria Alice Borges, quando começou um acalorado bate-boca entre integrantes das alas que a acusam e defendem Jonas Guimarães.
Os diretores apresentaram notas fiscais e guias de movimentação bancária que dizem provar as irregularidades cometidas pelo presidente, no cargo desde junho de 98. São dezenas de documentos que não foram aceitos pelo conselho fiscal para aprovação das contas de Guimarães. Fazem parte das notas consideradas sem validade as de aquisição de lâminas de barbear, tecidos para confecção de roupas, ração de gato, despesas com pedágio, interurbanos, recibos de táxis; além de outros em nome de particulares. O desvio de verbas está calculado em aproximadamente R$ 4.800,00.
Pesam ainda contra Jonas Guimarães as acusações de transferência de dinheiro da conta da entidade para a de sua companheira, a emissão de 18 cheques sem fundos e pagamento de multa pelo atraso na quitação de contas mensais de água, luz e telefone. Ele fez um discurso inflamado, citou o nome de Deus várias vezes, admitiu parte de responsabilidade e se dispôs a ressarcir o prejuízo causado ao Centrasil. Mas para isto, ele exige a devolução das notas fiscais, o que o conselho fiscal não quer admitir. As denúncias estão sendo investigadas também pela Promotoria Pública de Defesa do Patrimônio Público, porque o centro sobrevive com verbas recebidas mensalmente da prefeitura e do governo federal. Guimarães avisou que vai renunciar ao cargo.

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