O conflito agrário na reserva indígena Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Londrina), pode ter chegando ao fim. Ontem à tarde, o procurador regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal, em Curitiba, Mário Ghisi, representantes do governo do Estado, do ministério público de São Jerônimo, da prefeitura e ex-posseiros da Gleba do Cedro, estiveram reunidos esclarecendo os limites da reserva.
Segundo o assessor especial para Assuntos Indígenas, do governo do Estado, Edívio Battistelli, a reunião foi produtiva. Foram apresentados documentos que comprovam a área da reserva e mapas ilustrativos. Há duas semanas, a reunião foi com a Funai e os índios da reserva Barão de Antonina.
De janeiro do ano passado até outubro, foram registradas seis invasões na reserva por famílias de ex-posseiros. Em outubro a Polícia Federal cumpriu mais uma ação de reintegração de posse, retirando os invasores da Gleba. O conflito acirrou em novembro, quando o cacique Reginaldo Sales Batarse matou com três tiros o líder dos invasores, Adenilson da Silva Cruz, conhecido como Nego Saruê.
Cerca de 20 ex-posseiros estiveram presentes. ‘‘Com mapas, documentos, mostramos que eles estão bringando por terras indígenas. Os ex-posseiros mostraram desinformação, provando que foram manipulados a invadir a Gleba’’, ressaltou. Os ex-posseiros foram orientados a não voltar para as terras indígenas, pois a invasão será tratada como fato policial. ‘‘Quem estiver indevidamente na reserva será preso. Creio que agora não há mais dúvidas sobre os limites’’.
Também foi debatido o conflito agrário antigo na reserva Barão de Antonina, na Gleba 10, onde famílias de posseiros entraram na Justiça para garantir a terra no início dos anos 90. Na reunião ficou acertado que as entidades envolvidas vão tentar acelerar o julgamento desta questão.
Após a reunião, o procurador Mário Ghisi e representantes dos órgãos do governo visitaram as reservas Barão de Antonina e São Jerônimo, para conhecer um pouco da realidade destas comunidades indígenas. Hoje eles visitam mais quatro reservas em municípios diferentes.

mockup