Reunião no Fórum discute invasão da fazenda Doralúcia
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sexta-feira, 17 de janeiro de 1997
Lucinéia Parra Sucursal de Maringá 
Na tentativa de encontrar uma solução pacífica para a ocupação da Fazenda Doralúcia, em Cruzeiro do Sul, foi marcada para o próximo dia 22, no Fórum de Paranacity, uma reunião envolvendo a Justiça, os proprietários da área, representantes do Incra e do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). A ocupação da fazenda foi por volta das 8 horas de anteontem, por cerca de 110 famílias de sem-terra da região de Cascavel.
De acordo com o advogado do MST, na região, Marino Gonçalvez, a reunião foi marcada com a juíza de Paranacity, Sandra Bauermann, e com o promotor de Justiça, Marcelo Briso Machado. Um dos proprietários da fazenda, o empresário João de Oliveira Franco, disse ontem à Folha que vai participar da reunião, ou enviar um advogado para representá-lo.
Franco afirmou que vai participar da reunião para tentar uma retirada pacífica da fazenda. Ele disse que já entrou com pedido de reintegração de posse da área.
Os funcionários da fazenda Agnaldo de Souza Miranda e Amaro Ricardo Juliano, que permaneceram detidos pelos sem-terra por mais de sete horas, anteontem, durante a invasão da área, afirmaram na delegacia de Paranacity que os invasores estavam fortemente armados. Os sem-terra tinham afirmado que eram capangas da fazenda.
Miranda e Juliano disseram à polícia que os sem-terra portavam armas pesadas. Pela discrição deles, os sem-terra estavam até com uma metralhadora, afirmou o delegado de Paranacity, Claudio Marques da Silva. Ele disse que vai abrir inquérito para apurar as denúncias de Miranda e Juliano.
Segundo o depoimento dos funcionários, uma Parati que chegou à área logo após a invasão foi carregada com as armas dos sem-terra, deixando a propriedade em seguida. A versão é negada pelo MST.


