Reunião não consegue acordo sobre greve
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quarta-feira, 28 de novembro de 2001
Israel Reinstein <br> De Curitiba 
Fracassou ontem a tentativa do governador Jaime Lerner (PFL) de acabar com a greve na Universidade Estadual de Londrina (UEL), que já dura 72 dias. Foi a primeira intervenção direta de Lerner, que, em um esforço concentrado, reuniu seis secretários e a vice-governadora Emília Belinati e conversou por cerca de 3h40 minutos. Porém, na discussão, o governador ressaltou aos representantes da sociedade londrinense que não pode reajustar os salários dos funcionários das universidades estaduais este ano.
Por isso, uma nova reunião foi marcada para amanhã, em Curitiba, onde apenas secretários e representantes de Londrina devem participar para apresentar propostas alternativas. Uma delas é o pagamento de abono. Esse benefício seria dado à parte dos funcionários e seria custeado pelo orçamento das próprias universidades. No entanto, precisaria ser analisado antes pelo Conselho Universitário da UEL.
De acordo com o arcebispo de Londrina, Dom Albano Cavallin, o que se conseguiu de concreto na reunião foi a abertura da negociação. ''Foi uma semente para o fim da greve'', disse. Apesar da esperança do arcebispo, ele mesmo admite que uma solução para a greve é muito complexa. Afinal, na discussão, não foram avaliados percentuais de aumento da folha de pagamento da UEL.
Dom Albano disse que o governador alegou estar impossibilitado de reajustar os salários em função da falta de dinheiro em caixa e das restrições da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). ''Um aumento para os servidores das universidades só pode ser dado na mesma data de todo o funcionalismo público'', complementou a vice-governadora Emília Belinati. Ela disse que, somente em abril, o governo mexe nos salários.
Para contornar a impossibilidade de reajuste, foi colocado na mesa a proposta de abono. As universidades dariam esse benefício aos servidores que ganhassem até três salários mínimos. ''Essa medida atingiria apenas 1.393 dos 3.756 funcionários da UEL'', disse o reitor da universidade, Pedro Gordan.
Em uma análise preliminar, o reitor declarou que a universidade poderia remanejar verbas para pagar o abono. ''Mas, por deixar os professores de fora, o setor jurídico da UEL vai estudar se a medida não fere o princípio da isonomia'', afirmou. Outra proposta da reunião seria a adoção de um gatilho (espécie de reajuste), que poderia ser disparado quando o governo tivesse dinheiro em caixa.
Mesmo com as dificuldades de se encontrar uma solução, Dom Albano Cavalin disse que acredita que se ache um meio termo nas discussões. O arcebispo disse que o governador evitou interromper a discussão. Lerner suspendeu dois encontros oficiais para continuar converssando com os representantes de Londrina.


