Curitiba A determinação do Ministério Público (MP) do Trabalho de que 60% da frota de ônibus voltassem a circular nos horários de pico e 40% nos períodos de menor demanda, ainda na última terça-feira, desmobilizou a greve de motoristas e cobradores de Curitiba e região metropolitana, que começou na terça-feira, e forçou a volta quase total dos veículos, ontem. O presidente do sindicato da categoria (Sindimoc), Denilson Pires, assegurou, no entanto, que os trabalhadores permanecem em estado de greve.
Uma reunião foi realizada, na tarde de ontem, entre representantes dos trabalhadores e das empresas para nova tentativa de acordo sobre o reajuste salarial. O sindicato patronal (Setransp), segundo sua assessoria de imprensa, ratificou a disposição de acatar a proposta de 5% de aumento (2,7% de reposição da inflação e mais 2,3% de ganho real). Essa porcentagem também incidiria sobre a cesta básica e plano de saúde.
O Sindimoc, segundo Pires, faria uma espécie de votação entre os trabalhadores para saber se a vontade da maioria é pela aceitação ou não da proposta. ''Pessoalmente, acho temerário deixar que a negociação salarial vá a dissídio'', afirmou o sindicalista, lembrando do prazo dado pelo MP do Trabalho, até hoje, para um consenso entre as partes. A falta de acordo resultaria no ajuizamento de ação de dissídio. Nova reunião com o MP do Trabalho ficou agendada para às 17 horas de hoje. O Setransp aposta no fim da mobilização.
A Urbanização de Curitiba (Urbs) preferiu não se pronunciar até receber posicionamento oficial sobre o resultado das negociações entre o Sindimoc e o Setransp. Os fiscais da Urbs, segundo a assessoria de imprensa, ficaram atentos ao cumprimento do percentual de ônibus estipulado pelo MP do Trabalho. A informação do Setransp foi a de que parte das empresas conseguiu recolocar 100% da frota nas ruas, mas parte ainda cumpria o mínimo.
Sobre as lotações que foram cadastradas para trabalhar como transporte alternativo durante a paralisação, a Urbs informou que a autorização para os serviços expira assim que houver o término oficial da greve.
Vandalismo - Um dos saldos negativos da greve foi o número de ônibus depredados. O Setransp informou que 180 veículos foram avariados (pneus rasgados e esvaziados, vidros quebrados, portas arrancadas e assentos queimados).
De acordo com a assessoria da Prefeitura de Curitiba, apenas o terminal do Capão Raso sofreu algum vandalismo. As floreiras foram depredadas e duas guaritas da fiscalização foram arrancadas do chão e quebradas.

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