Reunião discute segurança nas lotéricas
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Após ser assaltado duas vezes no ano passado, o proprietário de uma casa lotérica localizada na Rua Sergipe (Centro de Londrina) instalou grades nos balcões de atendimento. ''A gente tenta fazer o possível, mas nem todas as lotéricas tem estrutura para investir em muita coisa'', comentou Fernando Augusto.
A falta de segurança e o aumento de funções que antes eram exclusivas dos bancos foram alguns dos assuntos discutos ontem de manhã, na Câmara de Vereadores, por representantes de órgãos públicos e sindicatos. A reunião foi uma iniciativa do vereador Lourival Germano. Segundo ele, a principal queixa dos usuários é a falta de estrutura para garantir mais segurança e qualidade no atendimento.
De acordo com o Sindicato dos Empresários Lotéricos do Paraná (Sinlopar), em todo o Estado existem 635 casas lotéricas. Londrina conta com 27 unidades, todas aptas a realizar diversas transações bancárias como pagamento de contas, benefícios e até mesmo saques. Essa é uma das preocupações da polícia, que afirma os estabelecimentos são mais visados pelos criminosos.
O 1º tenente Nelson Villa Júnior, do 5º Batalhão da Polícia Militar, diz que o fato das casas lotéricas não apresentarem aparatos de segurança, como a porta-giratória, acaba facilitando a ação de criminosos. ''Hoje percebemos que os bancos estão mais tranquilos e os problemas passaram para esses estabelecimentos, onde o fluxo de dinheiro é muito grande'', comentou.
Apesar da polêmica, o presidente da Federação Nacional das Lotéricas (Fenal), Aldemar Mascarenhas, garante que há segurança. Ele explica que todas as unidades contam com sistema de segurança e as chaves dos cofres permanecem com as empresas de transporte, o que dificulta a possibilidade de roubo. ''No ano passado, em Londrina, tivemos três assaltos em casas lotéricas, este ano tivemos dois. Os casos têm diminuído muito.'', afirmou. ''Nossa maior dificuldade é nos dias de pico, do dia 1º ao dia 10 de cada mês, quando as pessoas efetuam muitos pagamentos. Para isso ser solucionado precisamos resolver o problema na fonte, ou seja, que os próprios bancos ou outras instituições passem a adotar outras datas de vencimento'', completou.
O coordenador do Procon de Londrina, Flávio Henrique Caetano de Paula, enfatizou que as lotéricas precisarão se adequar para garantir bom atendimento aos usuários. ''É uma discussão preventiva para que possamos analisar como as lotéricas poderão garantir qualidade e segurança à população. Se não houver adequação, sofrerão as consequências''.
A grande quantidade de atividades bancárias realizada pelas lotéricas é criticada pelo Sindicato dos Bancários. O presidente da entidade de Londrina, Geraldo dos Santos, disse que no município existem 69 agências bancárias e apenas uma não conta com a porta-giratória. Segundo ele, isso significa que há mais segurança para a população nos bancos do que nas lotéricas. ''Os bancos estão ficando tranquilos porque passam várias transações para as lotéricas, mas a população não pode deixar de cobrar mais estrutura para esse tipo de serviço.''
Apesar das queixas, muitas pessoas ainda preferem ir até uma casa lotérica do que a um banco. ''Nos bancos a gente acaba demorando demais em filas e o atendimento é péssimo. Nas lotéricas somos tratadas como gente'', justificou a vendedora Sabrina Louise, 27 anos/
A dona de casa Zenilda Silva, 43 anos, também prefere a lotérica, mesmo sabendo dos riscos. ''Se for acontecer alguma coisa, pode acontecer aqui, no banco ou na rua. Prefiro pagar conta na lotérica porque é mais rápido e o atendimento acaba sendo melhor. Nos bancos hoje em dia, agente só fala com máquinas'', criticou.


