As discussões sobre a municipalização do sistema de água e esgoto de Londrina uma das alternativas face o fim do contrato entre o município e Sanepar em dezembro deste ano foram reiniciadas ontem na Câmara de Vereadores. Representantes dos municípios de Porto Alegre (RS) e Santo André (SP), onde os sistemas são municipalizados há décadas, reuniram-se com os vereadores para mostrar como as empresas municipais funcionam e tirar dúvidas. O diretor do Serviço Municipal de Água e Esgoto (Samae) de Ibiporã, Jurandir Barducco também participou da reunião.
Eles apresentaram planilhas de tarifa, orçamento, esquemas administrativos e investimentos realizados. O preço das tarifas nas três empresas é inferior aos praticados pelas concessionárias estaduais. Em Santo André, por exemplo, a tarifa residencial para até 10 metros cúbicos (m3) é R$ 7,48 contra R$ 16,18 da Serviço de Abastecimento de Água e Esgoto de São Paulo (Sabesp). ''O que faz a diferença entre as municipais e estatais é o tamanho e a lucratividade. Como não temos que gerar lucro para terceiros, é revertido em investimentos'', explicou o representante do Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André (Semasa), Carlos Pedro Bastos.
As tarifas reduzidas, os bons índices de cobertura de esgoto e, principalmente, o lucro das empresas municipais foram os pontos que mais chamaram atenção dos vereadores. ''Conhecemos três sistemas, de cidades de pequeno, médio e grande porte, e, em todas, as tarifas são mais baixas'', afirmou o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), que defende a municipalização.
Sobre a situação de Londrina, tanto Bastos como o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Porto Alegre, Carlos Atílio Todeschini foram taxativos em sugerir que o município deve exigir mais das concessionárias. ''É ao município que cabe o direito de decidir o serviço de sua competência'', afirmou Todeschini. Ele sugeriu, por exemplo, que o município defenda um contrato que estipule percentual de investimentos sobre o lucro obtido na cidade.
Segundo Bonilha, a Câmara deve promover novas reuniões para discutir o contrato. A próxima, ainda sem data definida, deve ser com os representantes da Sanepar. A empresa já apresentou uma proposta ao município para prestação do serviço por mais 30 anos com investimentos de cerca de R$ 37,4 milhões.

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