Reunião discute contratação irregular
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quarta-feira, 17 de abril de 2002
Luciano Augusto Reportagem Local 
Servidores municipais de Ibiporã ameaçados de demissão participam de encontro com o prefeito. Proposta é criar uma comissão que represente os trabalhadores
Ibiporã - O prefeito de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), Reinaldo Ribeirete (PSDB), e os 197 servidores municipais contratados irregularmente pelo município em 1997 se reúnem na manhã de hoje para tentarem uma solução para o problema. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) considerou irregular a seleção realizada em junho daquele ano pelo então prefeito Nadir Bigati e exige que os servidores sejam dispensados pela atual administração.
Na reunião de hoje, segundo Ribeirete, deverá ser formada uma comissão que represente esses trabalhadores, já que não estão sabendo o que realmente está acontecendo. Precisamos arrumar uma forma de não criar mais um problema para essas pessoas, que foram enganadas, completou o prefeito. A prefeitura não quer a demissão e deve recorrer da decisão do TCE, pois considera que o trabalho executado é essencial ao município.
De acordo com o prefeito, esses servidores correm o risco de serem dispensados sem receber qualquer benefício trabalhista. Os rendimentos variam entre um e três salários mínimos e o custo mensal para a prefeitura é de aproximadamente R$ 55 mil. Os trabalhadores foram contratados como guardas, zeladores, auxiliares de serviços gerais e operadores.
O prefeito contou que só ficou sabendo que a contratação dos servidores estava sendo questionada pelo TCE em outubro do ano passado. Na época, ele levou a questão ao departamento jurídico do município que tentou interceder junto ao Tribunal no sentido de preservar o emprego desses trabalhadores. Não houve processo seletivo. O teste (para contratação dos servidores) foi somente uma entrevista subjetiva, apontou Ribeirete.
O ex-prefeito argumentou que apenas seguiu uma prática que se fazia no Recursos Humanos do Município, desde o final dos anos 80. Ele disse que o concurso foi baseado em entrevista porque a prefeitura aceitava inscrições de candidatos analfabetos, que também passavam por uma espécie de teste psicológico.
Bigati assegurou que nunca favoreceu esse ou aquele candidato, mas admitiu que a forma de contratação que adotou à época dava margem para irregularidades. Mesmo assim, ele alfinetou que o atual prefeito está fazendo um cavalo de batalha para depois dizer que é o salvador da pátria.


