Reunião define prazos para desocupação
Curitiba
Kraw PenasApeloPedido de desocupação foi feito ontem por Greca em reunião tensa no Palácio Iguaçu, sem a participação dos ruralistasO MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) tentam fechar amanhã um cronograma de desocupação pacífica de sete fazendas na região Noroeste com ordem de reintegração de posse decretada pela Justiça. O governo do Estado voltou a ameaçar com o uso de força policial para cumprir as decisões judiciais. Os sem-terra condicionam a desocupação à liberação dos 24 líderes presos (ver lista abaixo) e ao deslocamento das 489 famílias envolvidas para assentamentos definitivos.
O coordenador estadual do MST, Roberto Baggio, diz que o movimento não aceita os acampamentos provisórios chamados pelo governo de Campos da Paz como abrigo. As áreas a serem liberadas pelos sem-terra são produtivas e não preenchem os requisitos necessários para reforma agrária, informou o Incra do Paraná ontem durante a reunião do governo com o MST no Palácio Iguaçu.
São as fazendas Almeira, em Jardim Olinda; Velha e Madeirut, em Inácio Martins; Sagarana, Shangrilá e Bem Bom, em Tamarana; Dois Córregos e Vera Lúcia, em Querência do Norte; Rincão do Bicho, em Cantagalo; e São Cristiano, em Reserva. A fazenda Esperança, em Mamborê, foi excluída da lista porque já foi desocupada.
O pedido de liberação das áreas foi feito ontem, em nome do governador Jaime Lerner, pelo chefe Civil, Rafael Greca. O presidente nacional Milton Seligman mandou seu assessor Gilmar Viana como representante. O governador não compareceu na rodada de negociação que contou com a presença do procurador geral de Justiça, Olympio de Sá Sotto Maior Neto; do representante do Poder Judiciário, Miguel Kfouri Neto; e do assessor especial para assuntos Fundiários, José Carlos de Araújo Vieira.
Os ruralistas não foram convidados, como havia sinalizado o governador na última terça-feira. Eles só voltam às discussões quando o Incra, governo e MST fecharem o cronograma. Greca marcou para a próxima quarta-feira nova reunião no Palácio Iguaçu para convalidar o que for decidido amanhã.
A conversa com o MST durou cerca de quatro horas e foi tensa. Os sem-terra acusaram o governo de ser conivente com as prisões dos líderes. Os assentados estão afiando as foices. Achamos que a polícia está exagerando. Os trabalhadores rurais não podem mais sair às ruas, porque são convocados a prestar depoimentos. O tratamento com os fazendeiros é outro, reclama Nildemar da Silva, um dos líderes do MST. Ele avisou que o MST não vai abortar a marcha, marcada para chegar esse mês em Curitiba.
Na tentativa de contornar o impasse - as discussões em torno das prisões dos líderes suspenderam por uma hora a reunião -, o representante do Judiciário comprometeu-se a ajudar o MST a desburocratizar o processo de revisão das prisões decretadas. Posso ajudar a agilizar a revisão, mas a decisão de mantê-los ou não presos é de cada juiz, ressalvou Kfouri Neto. O Ministério Público também vai tentar rever as cinco detenções baixadas em Bela Vista do Paraíso.





