Começou a ser debatido ontem à tarde o destino dos adolescentes ameaçados de morte em Londrina. O assunto foi discutido no Fórum, em reunião organizada pelo Conselho Tutelar junto a representantes do Conselho Comunitário de Segurança, das polícias Civil e Militar, do governo do Estado e do Ministério Público (MP).
A ameaça a adolescentes foi tema de reportagem publicada na Folha no mês passado. A mãe de um desses jovens também esteve no encontro, mas, ante a falta de ações concretas propostas pelo grupo, saiu sem grandes expectativas. ''Preciso de ajuda para o meu filho. Ele entrou em pânico desde que começaram a ameaçá-lo por dívida de tráfico'', disse. O garoto, de 14 anos, está internado.
Apesar de reconhecer a necessidade de medidas, os participantes divergem quanto ao número real de ameaçados de morte na cidade. Para o delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial (SDP), Jurandir Gonçalves André, por exemplo, são ''apenas dois casos ao mês, o que é quase nulo perto da população total de Londrina''. De acordo com ele, os procedimentos da Civil de agora em diante, mediante denúncia de ameaças, serão tomados em conjunto com a PM, além da apuração das infrações penais.
Por sua vez, um dos secretários do Conselho Tutelar, Luiz Bárbara, citou o número de André como o que chega oficialmente ao órgão. De acordo com ele, cerca de 15 adolescentes nessa situação, todos os meses, deixam de procurar ajuda, com medo de se exporem. O jeito, afirmou, será pedir verbas da União, via Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), para a participação das vítimas no Programa de Proteção à Testemunha. ''Dos 24 homicídios registrados na cidade este ano, oito são adolescentes. Alguma coisa precisa ser feita imediatamente'', destacou.
Para o presidente do Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), José Wilson de Souza, ''nenhum dos órgãos sabe ao certo quantos são os ameaçados''. Mesmo assim, ele ressaltou que, da parte do poder estadual, já foram providenciadas vagas em outras cidades, como Rolândia e Curitiba. ''De qualquer forma, o trabalho de proteção deve ser feito pelo município'', apontou.
A opinião foi compartilhada pelo chefe do escritório regional da Secretaria Estadual do Trabalho e da Promoção Social, padre Manoel Joaquim, que saiu contrariado da reunião. ''A questão de prevenção é do município. Antes de estarem em risco de morte, esses adolescentes estão em risco social'', pontuou.

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