A Fundação Nacional do Índio (Funai) realiza hoje de manhã, em Londrina, uma reunião para discutir ações que viabilizem o retorno das famílias indígenas que moram na cidade para a reserva do Apucaraninha. Participam da reunião representantes da Funai, do Ministério Público e o presidente do Conselho Indígena, Antônio Ribeiro.

Segundo o administrador regional da Funai, José Gonçalves dos Santos, o órgão se preocupa com a condição de vida e os riscos que essas famílias correm morando na cidade. A tentativa de devolvê-los à reserva não é recente, agora a Funai pretende levantar novas estratégias de convencimento.

Para um índio que está acampado com a família há cerca de duas semanas, na Avenida Celso Garcia Cid, próximo à sede do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul), a vida na cidade é mais tranquila. Ele não quis se identificar aparentemente por temer reações da Funai, mas destacou que com os poucos recursos disponíveis a vida na reserva é difícil. O índio destacou que para sobreviver é preciso trabalhar como bóia-fria e não sobra tempo para cuidar da própria plantação. ''Aqui a gente junta latinhas e papelão e pode comer melhor'', justificou.

Já Maria Vicente, 48 anos, que mora na reserva de São Jerônimo da Serra, garante que vem para Londrina todos os anos no período do Natal. ''A gente veio para ganhar cestas e roupas. Depois nós voltamos melhor para casa.'' Ela está acampada com a família (um filho, duas noras e cinco netos) embaixo do viaduto da Avenida Dez de Dezembro, ao lado da sede da Copel. Da reserva trouxeram várias mudas de orquídeas e cestos para serem vendidos nas ruas da cidade. Mas admitiu que as vendas estão difíceis e nem mesmo as mudas de flores ao preço de R$ 1,00 estão atraindo compradores. ''Ninguém tem dinheiro'', lamentou.

Para a Funai, as famílias que vêm de São Jerônimo não são motivo de preocupação. Santos confirma que a permanência delas é apenas durante o período do Natal. O administrador concorda que os recursos são poucos. O escritório local administra cinco reservas. Este ano, Santos avalia que a verba para a manutenção foi melhor que nos anos anteriores. Foram recebidos cerca de R$ 60 mil, mesmo assim não permite o atendimento necessário à permanência do índio na comunidade. Ele disse que a manutenção das máquinas agrícolas fica cara. Para isso, o órgão havia solicitado uma verba para contratação de maquinários, mas o dinheiro não foi suficiente.

A Funai inicia amanhã o estudo dos reflexos da usina da Copel na reserva do Apucaraninha, para a determinação do pagamento de uma indenização aos índios, como havia sido determinado na reunião do procuradores da 6 Câmara do Ministério Público Federal. O estudo será feito com assessoria de professores da Universidade Estadual de Londrina.

mockup