Reunião debate descredenciamento do HE
Mauricio Della Barba
De Londrina
O secretário de Saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, vai se reunir na sexta-feira com diretores de hospitais da cidade para avaliar as consequências de um possível descredenciamento total do Hospital Evangélico do Sistema Único de Saúde (SUS).
Se o HE optar pelo descredenciamento, poderá ocorrer um colapso no sistema de saúde de Londrina. A afirmação é do secretário Agajan Der Bedrossian e também do diretor-geral do hospital, Antônio Carlos Gonçalves de Assis Ribeiro. A decisão ainda será discutida entre a direção do hospital e a prefeitura e pode ser tomada em cumprimento a uma lei municipal aprovada no final do ano passado pela Câmara de Vereadores.
Pela lei, todos os hospitais da cidade, conveniados ao SUS, estão obrigados a oferecer atendimento de Pronto-Socorro (PS). O HE fechou seu PS no dia 26 de dezembro, foi advertido e já recebeu comunicado de uma multa no valor de R$ 10.600,00 pelo não-cumprimento da mesma. Agora, o próximo passo a ser tomado será o descredenciamento total do hospital, o que resultaria em cerca de 3 mil consultas especializadas, 250 cirurgias e 500 internações a menos por mês em Londrina.
Não há como absorver esse impacto, disse ontem Agajan Der Bedrossian. O secretário diz estar de mãos atadas, pois ao mesmo tempo em que cumpre a lei, estaria afetando seriamente o atendimento hospitalar na cidade. Não vou tomar esta atitude sem saber o que a comunidade pensa. É a lei contra a necessidade pública, explicou o secretário. É preciso que prevaleça o bom senso entre todas as partes, salientou.
A direção do HE encaminhou anteontem uma carta reafirmando que a lei aplicada contra o hospital é inconstitucional e foge da alçada do município. Não somos obrigados a atender por lei. O HE é uma entidade privada e não podemos continuar levando prejuízo, afirmou Antonio Carlos Ribeiro.
De acordo com o diretor, o hospital contabiliza mensalmente cerca de R$ 300 mil de prejuízo. O repasse feito pelo SUS ao nosso hospital girava em torno de R$ 270 mil ao mês, enquanto o gasto total atingia R$ 600 mil, explicou Ribeiro.
Mesmo assim, na carta enviada ao Secretário da Saúde, o diretor afirmou que o descredenciamento total não é uma intenção imediata do HE. O interesse evangélico e social prevalece, mas ninguém pode dar o que não tem, disse.
Ribeiro informou que o SUS deixará de repassar, já neste mês, cerca de R$ 100 mil, referente aos atendimentos do PS. O HE é considerado uma entidade filantrópica e com isso é beneficiada com a isenção de alguns impostos, que atingem o valor aproximado de R$ 80 mil, segundo Ribeiro. Queremos proporcionar uma filantropia controlada, ou seja, ajudar a comunidade sem perder dinheiro, explicou. O diretor também declarou que, se houver o descredenciamento, o HE irá entrar com um pedido de liminar na Justiça.





