Reunião de amantes da aviação em Londrina
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sábado, 20 de agosto de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Na manhã de ontem o aeroporto 14 Bis em Londrina foi palco de um encontro de proprietários de Bonanza - o avião tem amantes no mundo todo. De acordo com Ivo Vicentini, um dos participantes do evento, os integrantes do Bonanza Clube do Brasil se reúnem de duas a três vezes por ano. ''Mas esta é a primeira vez que o encontro acontece aqui em Londrina'', disse. Ele afirmou que o objetivo do grupo é trocar informações sobre os equipamentos e características das aeronaves. Estiveram presentes no evento cerca de 200 pessoas de vários estados brasileiros.
Segundo Ivo, o avião tem muitos admiradores por que além de ser muito seguro apresenta excelente conforto e acabamento. ''O jeito de pilotar também é diferente. Só quem voa num avião como o Bonanza pode falar das diferenças com os demais modelos'', disse. Os Bonanza começaram a ser produzidos em 1947 nos Estados Unidos e inicialmente comportavam quatro pessoas. Atualmente a cabine tem espaço para seis pessoas e motor mais potente que as primeiras aeronaves.
Entre os proprietários de Bonanza estão empresários, agropecuaristas e outros profissionais, mas nem todos pilotam o próprio avião, alguns têm pilotos particulares. ''O preço mínimo de um avião destes é de R$ 200 mil e pode chegar a mais de R$ 1 milhão. Em média ele voa a 300 km/hora e gasta 60 litros de combustível por hora de vôo'', explicou. Ivo disse que juntou o gosto pelos aviões à necessidade de chegar de forma rápida às suas fazendas. ''Eu acho mais seguro e econômico do que andar de carro. Quando estou pilotando esqueço de tudo e me concentro só no avião. Tem que ter muita atenção'', disse.
A paixão pelo céu é tanta que nem uma queda, sofrida em 2002, foi capaz de afastar Ivo dos aviões. ''Caí aqui próximo a este aeroporto em um terreno limpo. Meu avião teve uma pane. Depois da queda não fiquei com medo. Levantei, sacudi a poeira e continuo voando mesmo assim'', brincou.
O pecuarista está orgulhoso porque o gosto pelos aviões terá continuidade na família. O neto dele, Alexandre Nogueira da Costa Junior, de 17 anos, está fazendo curso de Ciências Aeronáuticas e vai pelo mesmo caminho do avô. ''O que me encanta nisso é a sensação de voar e estar no controle. Tem que ter muita responsabilidade e o medo não faz parte do meu dia-a-dia'', disse Alexandre, afirmando que a mãe fica com receio quando ele diz que gosta das acrobacias aéreas, mas acaba apoiando a formação profissional que o filho escolheu.
Para o piloto Rolemberg Vidotti, a velocidade e a sensação de liberdade são os itens que mais o atraem na hora de voar. ''O avião entra no sangue e depois no cérebro'', disse. Atualmente ele tem 13 aviões agrícolas e é proprietário de uma oficina de aeronaves. ''O amante de aviões passa por três fases. Na primeira ele paga para voar, na segunda ele ganha para voar e na terceira ele paga para não voar, já que contrata pilotos para fazerem o serviço'', elencou. Ele disse que não consegue se ver em outra profissão. ''São 36 anos trabalhando com isso, passo 12 horas do meu dia só falando e trabalhando com aviões. Acabou se tornando um estilo de vida que também foi adotado pela minha família'', disse.
Ricardo Coppi tem 38 anos e além de advogado e professor é aluno de um curso de pilotos. ''Para mim é uma terapia. Saio da rotina e me ajuda a desestressar'', disse. Ele afirmou que não sabe se vai seguir a carreira de piloto, mas que o aprendizado está valendo a pena.


