A comissão do governo do Estado e representantes das mulheres de policiais militares se reúnem hoje às 9 horas em Curitiba. O encontro estava marcado para ontem às 17h30, mas assessores do Palácio Iguaçu informaram que foi transferido porque as mulheres de Londrina – onde o movimento tem maior repercussão – chegariam muito tarde. Elas viajaram para Curitiba por volta das 15h30.
No final da tarde, três mulheres de PMs de Guarapuava haviam chegado ao palácio. Elas foram até o 4º andar, onde fica o gabinete do chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, mas como a reunião não havia começado, preferiram esperar em frente ao prédio. Disseram que só entrariam quando as demais mulheres chegassem. Lídia Parteka de Moraes, a representante do grupo, ficou indignada com a notícia de que a reunião tinha sido adiada. Já se passavam das 19 horas quando a informação chegou a ela, por meio da imprensa. ‘‘Estão fazendo a gente de palhaça’’, criticou.
Lídia disse que ela e as acompanhantes não teriam onde passar a noite e que, se fosse necessário, dormiriam em frente ao Palácio Iguaçu.
A comissão do governo é representada pelo chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, pelo comandante geral da Polícia Militar, coronel Gilberto Foltran, pelo secretário de Segurança, José Tavares, e pelo secretário da Administração, Ricardo Smijtink. A reunião foi proposta na tentativa de desmobilizar os protestos.
O governador Jaime Lerner (PFL) disse ontem que não há qualquer possibilidade de dar gratificação ou aumento salarial aos policiais militares. Ele alegou que o Estado não tem recursos e mandou um recado para as mulheres dos policiais que lideram as manifestações. ‘‘Movimento não gera dinheiro. Não há possibilidade de reajuste’’, declarou ontem após solenidade no Palácio Iguaçu.
Lerner garantiu que em todos os momentos deveria haver diálogo entre os manifestantes e os representantes do governo. Ele disse que o governo está com boa vontade para conversar com as mulheres dos militares. ‘‘Confio no bom senso. Tenho muito respeito por elas’’, ressaltou.
O governador afirmou ainda que foi do Palácio Iguaçu a iniciativa de propor um entendimento. ‘‘Estamos agindo com serenidade e propusemos a formação de uma comissão para negociar. Vai ser tudo com muito diálogo’’, prometeu Lerner.
A relações-públicas da Associação, Maria Conceição dos Santos, que iria representar as mulheres de Londrina na reunião, não tinha muitas esperanças na negociação. ‘‘Acho que mais uma vez vai ser uma embromação. Mas temos que ser maleáveis e tentar todos os meios para que as negociações avancem’’, explicou. (Colabararam Carmem Murara, de Curitiba, e Telma Elorza, de Londrina)

mockup