Os movimentos que compõem o Grupo de Trabalho para solucionar a situação dos moradores do Residencial Flores do Campo foram na tarde desta segunda-feira (24) ao gabinete do prefeito Marcelo Belinati para tentar solucionar o problema da falta de moradia legalizada, no entanto, mais uma vez o prefeito não pôde estar presente e a situação dos moradores permanece indefinida. Quem recebeu o grupo foi o chefe de gabinete, Marcos Urbaneja, que justificou que Belinati estaria em Curitiba, e informou não haver terrenos cedidos para abrigar provisoriamente os moradores da ocupação.

Moradores foram recebidos pelo chefe de gabinete, Marcos Urbaneja, que informou não haver terreno para abrigar provisoriamente as famílias
Moradores foram recebidos pelo chefe de gabinete, Marcos Urbaneja, que informou não haver terreno para abrigar provisoriamente as famílias | Foto: Ricardo Chicarelli



Como o Contorno Norte teve seu traçado alterado e havia uma grande área em posse da prefeitura, o grupo de trabalho solicitou que aquele espaço fosse utilizado para abrigar os moradores do Flores do Campo, no entanto Urbaneja afirmou que aquela área foi requisitada pelo Ippul (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina), que se manifestou alegando que iria utilizar a área futuramente.

Urbaneja destacou que existe uma área no Conjunto Habitacional João Turquino (zona sul) que poderia receber 75 famílias, porém ressaltou que a proposta teria de passar pela Câmara Municipal de Londrina. Mesmo diante dessa proposta os moradores ficaram receosos de que apenas parte das 180 famílias fosse contemplada. A dona de casa Isabelly da Silva Cardoso, 24, moradora do Flores do Campo, afirmou que a proposta pode dificultar ainda mais a saída das famílias do residencial, pois mais pessoas sem teto poderiam ocupar as unidades que forem liberadas por uma saída parcial das famílias. "Precisa sair todo mundo junto, caso contrário existe o risco da prefeitura ficar 'enxugando gelo', pois o processo de saída não acabaria nunca", ressaltou.

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O promotor Paulo Tavares foi um dos participantes mais incisivos na reunião e pediu uma solução urgente por parte do poder público para o problema de falta de moradia no município. Ele declarou que saiu decepcionado da reunião, pois acreditava que o andamento estava mais avançado. "Esperávamos que os dois terrenos já seriam definidos como locais para onde as famílias seriam transferidas provisoriamente, mas pelo que eles falaram só um terreno seria liberado. Deixamos bem claro que essa transferência se faz necessária. É um problema social grave. São famílias que vivem em situação sub-humana. Esperávamos mais vontade por parte do município. É frustrante porque não avançamos em nada", destacou.

A estudante de Engenharia Ambiental da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), Nadine de Oliveira, ressaltou que a falta de infraestrutura que os moradores têm enfrentado no seu cotidiano é crítica. "Eles têm enfrentado problemas de falta de água e esgoto", enalteceu.

Durante a reunião o professor do curso de arquitetura e Urbanismo da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Gilson Bergoc, apresentou uma maquete de uma proposta de habitação provisória, de 27 metros quadrados, que teria cozinha, banheiro e um espaço capaz de abrigar dois quartos. "Foi pensada para ser feita de forma geminada. Atende minimamente as necessidades dos moradores, mas o começo de tudo tem que ser uma área adequada para receber o projeto", apontou. "A expectativa que a gente tinha era de que haveria uma solução, mas isso não aconteceu", declarou.

O arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Londrina, dom Geremias Steinmetz, destacou que a Igreja Católica poderia fornecer um kit que possibilitaria edificar uma estrutura menor que a casa. "Seria possível construir duas paredes e a fundação de cada casa", declarou o arcebispo.

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