A instalação de câmeras de segurança, um trabalho conjunto de inteligência entre as polícias e a realização de palestras em escolas foram algumas das propostas levantadas ontem para combater a criminalidade no Terminal Urbano Central de Londrina.
Furtos, agressões, ameaças, uso e tráfico de drogas, vandalismo e prostituição foram alguns dos crimes cometidos por crianças e adolescentes citados pelos participantes da reunião promovida pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). A despeito do consenso sobre a necessidade de ação conjunta, em vários momentos os órgãos representados no encontro caíram num jogo-de-empurra de responsabilidades.
''Quando ocorre um problema, chamamos o pessoal do Sinal Verde (programa para indivíduos em situação de risco), eles fazem a abordagem, mas o Conselho Tutelar demora muito para vir'', apontou um agente da CMTU. ''O conselho atende casos gravíssimos o dia todo e nem sempre pode estar no Terminal no exato momento em que é solicitado. A polícia ou o Sinal Verde podem levar a criança para uma salinha até nossa chegada'', alegou a presidente do Conselho Tutelar Norte, Salete Domingues.
''Já ouvimos dos próprios policiais militares (que atuam no Terminal) que eles têm receio de responderem a processo (se agirem contra os menores)'', levantou o diretor de transportes da companhia, Wilson de Jesus. ''Essa não é a orientação do comando. Se estamos com policiais não comprometidos com o trabalho no Terminal, temos que tomar medidas'', respondeu o assessor do 5º BPM, tenente Ricardo Eguedis.
Cobrado sobre o aumento de efetivo, o oficial defendeu que dois policiais para o Terminal é um número suficiente, caso haja colaboração de funcionários e usuários. ''As pessoas não podem ter medo de denunciar'', clamou. Já o diretor da CMTU, questionado sobre a inexistência de câmeras, lembrou que todas foram furtadas. ''Conseguiram achar até a sala em que estava o sistema'', narrou.
O presidente da comissão de segurança da Câmara Municipal, vereador Jamil Janene, afirmou que irá apresentar um projeto de lei exigindo a presença de câmeras no local. Também sugeriu que as polícias Civil, Militar e Federal se unam para desbaratar o tráfico de drogas no Terminal e imediações. ''Não pode faltar policial ali, onde mais de 30% da população londrinense passa'', sustentou.
Representantes das empresas de transporte coletivo da cidade denunciaram que motoristas são ameaçados até dentro dos ônibus, onde são obrigados a levar infratores de graça até o Terminal para ali cometer delitos. Também observaram que o local está depredado e que garotos entram por buracos nas muretas, os mesmos que são usados para passar alimentos ou drogas de fora.
A reunião acabou expondo mais problemas do que soluções. ''Está todo mundo se eximindo de responsabilidades. Esse senso comum de que não pode pôr a mão em adolescente porque o estatuto não deixa, por exemplo, é falsa. Está cometendo crime, mesmo que seja uma depredação, o policial tem que pegar e levar para a delegacia. Na promotoria, vou tomar as atitudes que me couberem'', asseverou a promotora de Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, em tom revoltado.

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