Réu no Caso Cristian vai a júri
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quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O Tribunal do Júri do Fórum de Londrina se reuniu na tarde de ontem para julgar o réu Rubens Mendes de Queiroz, acusado de homicídio qualificado por motivo fútil e mais duas tentativas de homicídio. Em julho de 1996, segundo o Ministério Público, ele teria disparado contra o estudante Cristian Moretto, Charles Rober da Silva e Edenilso Rodrigues Silva durante uma confusão em uma lanchonete na Zona Oeste da cidade. Cristian faleceu em abril de 1997, com 19 anos. Até o fechamento desta edição, os sete jurados ainda não haviam chegado a um veredito e a previsão era de que o julgamento se arrastaria noite adentro.
Em suas declarações iniciais, rebatendo a tese do Ministério Público, o acusado alegou que teria sido seu irmão, Joel Mendes Queiroz, quem estaria armado e teria efetuado os disparos no interior da lanchonete. Joel respondia como co-autor dos crimes mas se matou em 2003. Rubens já cumpre pena de 16 anos de prisão na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) desde janeiro de 2001 pelo assassinato da esposa, Luciana Duarte Filho, ocorrido em 1998.
Rubens já havia sido julgado pela morte de Cristian e pelas outras duas tentativas de homicídio em novembro de 2002 mas seus defensores conseguiram a anulação da sentença de 23 anos de reclusão junto ao Tribunal de Justiça. Sua defesa, na ocasião, alegou que havia assumido o caso dias antes do julgamento em razão de uma desistência do defensor dativo.
O novo julgamento havia sido marcado para o dia 14 de outubro deste ano mas foi adiado para ontem à pedido da defesa. Um dos advogados apresentou um atestado médico que foi aceito pelo Ministério Público.
Ontem, acompanhado dos seus advogados Newton Roberto da Silva Simão e Leandro Onesti Peixoto, o réu passou por certo constrangimento nos momentos iniciais da sessão, quando a promotora Susana Feitosa de Lacerda exibiu um vídeo sobre o crime, produzido pelo programa ''Linha Direta'' em 2000 com base na denúncia do Ministério Público sobre o crime. Nesta época, Rubens era considerado foragido da Justiça. Algumas semanas após o programa, ele foi preso em Mogi das Cruzes (SP). Rubens permaneceu o tempo todo de cabeça baixa e só olhou para o vídeo quando foram mostradas imagens de sua prisão e da chegada à Londrina, quando ele tentou agredir equipes de reportagem. Ontem, alegando direito à preservação de sua intimidade, o réu não permitiu que a imprensa filmasse seu julgamento.
Os advogados de Rubens não quiseram antecipar qual a tese que levantariam para convencer os jurados da inocência de seu cliente. Simão só comentou que teria condições de provar que Rubens não foi o autor dos disparos que atingiram as vítimas. Fontes ouvidas pela Folha explicaram que o julgamento deveria entrar noite adentro. Ao todo, oito testemunhas - três da acusação e cinco da defesa - deveriam ser ouvidas.
Este crime ganhou ampla repercussão em Londrina por causa da campanha intensa da mãe de Cristian, Nadir de Medeiros Pereira, 46 anos, para que o crime fosse julgado e pela luta do estudante contra a morte. Ontem, Nadir permaneceu todo o tempo no Tribunal.


