Réu é condenado por crime de 1980
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terça-feira, 17 de outubro de 2000
Sid Sauer De Campo Mourão 
O tribunal do júri de Campo Mourão condenou anteontem à noite o pedreiro Ishmael Gironde, 43 anos, a 8 anos e 4 meses de prisão pelo assassinado, em maio de 1980, do agricultor Alípio Nespolo, na época com 33 anos. A sentença foi anunciada às 22h30, 10 horas após o início do julgamento. O júri acatou a tese da defesa, de homicídio privilegiado (praticado mediante forte emoção) e Gironde poderá aguardar recurso em liberdade.
O julgamento de Gironde ganhou destaque em virtude da demora para ser realizado. O acusado estava foragido e só foi preso em junho deste ano, depois de ser localizado em Campo Grande (MS) por um irmão da vítima, o bancário Pedro Nespolo. Familiares da vítima deixaram o Fórum antes da sentença ser anunciada. O promotor Inácio de Carvalho Neto anunciou que vai pedir a anulação do julgamento.
Vou pedir a anulação devido à ausência de uma testemunha importante, que não foi intimada; pelo fato de não existir nos autos provas de que o crime foi praticado sob forte emoção e por não concordar com o tamanho reduzido da pena, explicou o Carvalho Neto. O promotor havia pedido pena máxima para Gironde. Devido ao tempo que passou desde o crime mais de 20 anos , o acusado precisaria ser condenado a mais de 12 anos para ficar preso.
No depoimento que deu durante o julgamento, Gironde apenas confirmou a autoria do homicídio, não respondendo a nenhuma das outras perguntas feitas pela juíza Mylene Rey de Assis Fogagnoli. Um pouco antes do depoimento dele, o MP chegou a pedir o adiamento do julgamento porque uma testemunha, Maria Nespolo, viúva de Alípio, não havia sido intimada. A juíza, no entanto, não acatou o pedido, alegando que a testemunha não era imprescindível.
O crime ocorreu na divisa das propriedades rurais de Alípio Nespolo e do pai de Gironde, Miguel Gironde. As famílias vinham se desentendendo devido a uma erosão na divisa. Alípio Nespolo foi morto com um tiro de um revólver calibre 32 que nunca foi encontrado, além de golpes de uma faca, de uma foice e de pedaços de pau. O corpo da vítima também teria sido arrastado por um trator. O agricultor era casado e tinha cinco filhos.
Na época do crime, Gironde alegou que foi agredido primeiro por Alípio, que seria o dono da faca e da foice. A defesa dele foi feita pelo advogado Robervani Pierini do Prado. Vanir Tamulis Uliana, sobrinha de Alípio, disse ontem que a família esperava pena máxima para o caso. Para ela, a justiça errou a qualificar o crime como simples, ao não conseguir prender o acusado antes e ao lhe dar uma pena que não o deixará preso. Para nós, não houve justiça, lamentou.


