Réu condenado por crime ocorrido há 17 anos
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terça-feira, 06 de abril de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Por cinco votos a dois, o Tribunal do Juri do Fórum de Londrina condenou ontem o réu Márcio Valle Giovanetti, conhecido como ''Boi'', a oito anos e seis meses de reclusão. Como pediu o Ministério Público, ele foi responsabilizado pelo homicídio doloso com intenção do técnico de computação Daniel Hermes Fleuringer, ocorrido em 5 de setembro de 1987. A defesa recorreu da sentença e Giovanetti vai aguardar o posicionamento do Tribunal de Justiça em liberdade.
Esperando por um desfecho do caso há quase 17 anos e insatisfeito com os inúmeros adiamentos, o pai de Daniel, o aposentado João Fleuringer, não acompanhou o julgamento. ''Me afastei porque isso só me traz aborrecimento'', confessou. Ao saber da decisão dos jurados, Fleuringer afirmou que ''essa sentença deveria servir de exemplo para que outros não façam a mesma coisa''. Por outro lado, lamentou que a defesa de Giovanetti tenha ingressado com recurso imediato. ''Vai continuar essa milonga'', disse.
Conforme reportagem sobre o caso publicada pela Folha no último domingo, Daniel estava em uma lanchonete na Avenida Higienópolis (Área Central) conversando com amigos quando foi atingido por um tiro no rosto. Ele foi socorrido mas morreu horas depois na Santa Casa. O autor do disparo foi Giovanetti, que havia se envolvido em um acidente de trânsito há cerca de 100 metros de onde estava a vítima. Na confusão, Giovanetti teria sacado um revólver e disparado contra o outro veículo mas o tiro acabou por atingir Daniel, que não tinha qualquer envolvimento no acidente.
O advogado de Giovanetti, Luiz Tavanaro Gaya, recorreu da sentença em plenário. Com isso, ele conseguiu que seu cliente se livrasse da prisão e continuasse aguardando em liberdade o pronunciamento do TJ, em Curitiba, sobre o recurso. ''A decisão dos jurados foi completamente contrária às provas dos autos'', argumentou o advogado. Gaya comentou que a diferença entre o crime culposo (sem intenção) e o doloso (intencional) ''é muito tênue''. Para a defesa, ''ele (o réu) não vislumbrou (atingir) a vítima nem visou matar ninguém, mas sim atingir os pneus do outro carro''.
Caso a defesa de Giovanetti tivesse conseguido convencer os jurados de que o homicídio foi culposo, o crime já estaria prescrito. Isso porque o prazo para prescrição de homicídios culposos é de oito anos.


