Retrocesso - Falta de reciclagem gera prejuízo ambiental
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quarta-feira, 24 de junho de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
As dificuldades enfrentadas pelas Ongs que realizam a coleta seletiva em Londrina já causam prejuízos ao meio ambiente. De acordo com Sandra Araújo Barroso, presidente da Central de Pesagem e Vendas (Cepeve), pelo menos 40 toneladas de material reciclável não estão sendo recolhidas diariamente desde que os grupos de recicladores reduziram o ritmo de trabalho por causa de dificuldades financeiras. O destino dos resíduos tem sido o aterro controlado de Londrina, localizado no bairro Limoeiro (Zona Leste), cuja capacidade está quase esgotada.
Até o ano passado, as Ongs recolhiam 110 toneladas de material por dia. Hoje, de acordo com a presidente da Cepeve, o volume foi reduzido para 70 toneladas. Como os grupos não passam com a mesma frequência pelos bairros e chegaram a suspender a atividade em alguns locais, muitos moradores estão voltando a jogar o material no lixo comum, abrindo mão do hábito de separar os resíduos sólidos do lixo orgânico.
''É muito triste, porque levamos anos para conquistar a confiança das pessoas. Agora, se o caminhão de lixo passa antes, elas dão o reciclável para o lixeiro'', avaliou Sandra.
Morador do Conjunto Violin (Zona Norte), o segurança Genésio Rodrigues da Silva confirmou esta situação. Segundo ele, o pessoal da Ong deixou de passar pelo bairro com regularidade há seis meses. ''Cheguei a juntar três sacos, que acabei dando para um rapaz. Agora estamos colocando as embalagens no lixo'', contou Silva, que tem pena de entregar o material ao lixeiro, mas não sabe o que fazer com os resíduos separados.
Do outro lado da cidade, no Conjunto Cafezal 2 (Zona Sul), a dona de casa Maria Aparecida Verrilo enfrenta o mesmo dilema. ''Já cheguei a acumular oito sacos. Como ninguém passou para recolher, fui colocando aos poucos no lixo comum. Continuo separando, mas, depois de um tempo, entrego para o lixeiro.''
Em conversa informal com a reportagem, funcionários da empresa que faz a coleta de lixo orgânico em Londrina confirmaram que o volume de recicláveis misturado ao lixo aumentou nos últimos meses, o que, inclusive, dificulta o trabalho dos coletores pela maior quantidade de lixo a ser recolhido nas casas.
Gilmar Domingues Pereira, analista técnico da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), confirmou que há um ''volume considerável'' de recicláveis chegando ao aterro, mas não soube precisar se a quantidade aumentou. ''Estamos fazendo um levantamento sobre a situação do local, que tem capacidade para funcionar por mais um ano e meio ou dois anos'', afirmou.
Segundo ele, a crise na coleta seletiva agrava o problema de capacidade do aterro e gera um importante ''passivo ambiental''. ''Depois que o aterro controlado for fechado, continuará havendo produção de gases e chorume por pelo menos 40 anos'', avaliou.
O analista adiantou que o município já tem uma área para instalar um novo aterro. ''Estamos em processo de licenciamento ambiental'', revelou ele, acrescentando que uma licença prévia já foi concedida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ''Temos que cumprir 16 condicionantes para obter a liberação definitiva da área.''
Devair de Almeida, coordenador do Programa de Coleta Seletiva em Londrina, questionou os números informados pela presidente do Cepeve. ''Não temos dados precisos. Estamos fazendo um levantamento para verificar se houve mesmo queda no volume de recicláveis coletados'', afirmou, lembrando que, apesar da reciclagem ter sido suspensa em alguns bairros, aumentou em condomínios que perderam o interesse em comercializar o material por conta própria.
Ele esclareceu que os problemas enfrentados pelo programa estão sendo contornados e pediu paciência aos moradores. ''Estamos ajustando as falhas'', garantiu.
Ontem a CMTU começou a pagar cheques no valor de R$ 150,00 a 28 Ongs de coleta seletiva. Ao todo serão beneficiados 250 recicladores e, a princípio, eles receberão dois cheques. O segundo deve ser entregue no mês que vem. O recurso é proveniente do Fundo de Urbanização de Londrina (FUL).


