Retomada lenta de obra irrita lideranças
Paulo Henrique Faria
De Londrina
Especial para a Folha
Isso aqui está a passo de tartaruga. A afirmação é do presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Newton Morato, e diz respeito às obras da Cadeia Pública de Londrina. Morato esteve ontem no canteiro de obras acompanhado pelo juiz Corregedor dos Presídios, Roberto Ferreira do Valle, pelo promotor dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, pela promotora da Vara de Execuções Penais, Solange Vicentin, e pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Wanderci Corral Fernandes. Morato afirmou que o ceticismo do conselho em relação ao andamento da obra é total. Ao que tudo indica, eles (governo do Estado) continuam só adoçando a boca dos londrinenses; ou seja, aumentaram com mais treze o número de funcionários no canteiro só para ludibriar a população de Londrina, afirmou o presidente.
Segundo alguns operários que trabalham no local, para que o prédio seja entregue em agosto do ano que vem, é necessário que pelo menos 60 homens trabalhem diariamente na obra. Hoje, ela conta com 18 trabalhadores e o diferencial da cadeia, que é a ala feminina e a ala para presos especiais (aqueles que têm curso superior), ainda nem saiu do papel.
Antes de verificar a situação das obras da Cadeia Pública, o grupo realizou uma visita na Prisão Provisória de Londrina (PPL), onde muitos outros problemas foram constatados. O convite foi feito através de um relatório enviado pelo diretor do presídio, delegado Eurico Humming, ao Conselho Comunitário de Segurança.
O juiz Roberto do Valle decide, em dez dias, se decreta ou não o fechamento da Prisão. A ação só vai depender do resultado do laudo técnico do Instituto de Criminalística, que deve apontar falhas no projeto e algumas adequações pelas quais o prédio terá que passar.
Porém, a presença de um técnico é dispensável para perceber os defeitos grosseiros da PPL, que tem apenas um ano. A visita foi superficial, pois tanto o diretor Humming quanto o juiz Roberto Valle não acharam prudente entrar na ala onde ficam as celas. Só de olhar já deu para constatar que falta alarme, falta banheiro no pátio, faltam extintores de incêndio, o arame farpado do tipo ouriço, que também não tem, além do muro ser muito baixo. E o principal, falta vontade da Secretaria de Segurança Pública e compromisso do governo do Estado, enumera o juiz. A falha mais óbvia que pude perceber é a distância do telhado para o muro que dá acesso à rua, apontou. E completa, qualquer preso que subir no telhado pode alcançá-lo.
Roberto do Valle também fez questão de lembrar que antes da Prisão Provisória ser ativada ele já tinha constatado alguns problemas de segurança que agora estão sendo comprovados. A promotora Solange Vicentin resumiu a situação da prisão com uma frase: a falta de segurança é total.
O promotor dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares, também não ficou nada satisfeito com o que viu. Em primeiro lugar, isso deveria ser apenas uma prisão provisória, como o próprio nome diz, mas tem muito preso aqui que já deveria ter sido transferido, afirmou. Sem contar que o prédio é totalmente vulnerável a fugas e rebeliões, o que é um risco também para a população da vizinhança.
Valle afirmou que se o laudo do Instituto de Criminalística confirmar que há risco de fuga ou de integridade física para funcionários e presos , a interdição total será decretada. Se em trinta dias o Estado não arrumar isso aqui, nós fecharemos a prisão, declarou o juiz.
O Secretário Estadual de Obras Públicas, Augusto Canto Neto, não foi localizado para comentar as reclamações de que as obras da Cadeia estão muito lentas.Grupo visita obras da Cadeia Pública e constata que número de funcionários é pouco para cumprir prazo final
Josoé de CarvalhoLENTIDÃOUm dos operários da obra, o delegado Wanderci Fernandes, Solange Vicentin, Paulo Tavares e Roberto do Valle, durante visita à construção da Cadeia Pública: Isso aqui está a passo de tartaruga, reclama presidente do Conselho de Segurança





