Uma cidade de quase 300 mil habitantes onde não existem favelas. Esse é o retrato atual de Maringá, uma das principais cidades da Região Norte do Paraná. Essa realidade é resultado de uma decisão tomada por administrações antigas, que tem sido mantida até os dias de hoje.
Um programa do governo federal para erradicação dos barracos e cortiços foi aplicado no município no início dos anos 1970. Equipes da prefeitura visitaram os locais pobres para cadastrar os moradores e erradicar as moradias de baixa qualidade.
''A prefeitura deu todas as condições para quem quisesse melhorar. Os que não aceitassem deveriam procurar outra cidade. Isso gerou certa controvérsia na época, mas resolveu o problema'', comenta o prefeito Silvio Magalhães Barros, filho do então chefe do poder executivo. Os moradores ganharam terreno e empréstimo em nome da prefeitura para construir uma ''moradia digna.''
E a regra foi mantida por sucessivas administrações. Hoje, a legislação municipal proíbe que loteamentos sejam aprovados se não contarem com infra-estrutura básica, como ligações de água e energia elétrica, galerias de águas pluviais e asfalto.
Segundo o prefeito, no decorrer do período algumas administrações autorizaram loteamentos sem asfalto para reduzir o custo da habitação social. A consequência é a existência de 20 bairros sem asfalto hoje na cidade. E as linhas de financiamento para pavimentação com melhores prazos exigem 75% de residências construídas, mas só cinco localidades atendem essa exigência. A prefeitura, então, deve buscar alternativas como o programa de asfalto comunitário ou com financiamentos junto às empreiteiras.
Para impedir o aparecimento de moradores de rua, estimados atualmente em cerca de 50, a administração municipal investe em centros de referência de assistência social. Mas Barros afirma que existem muitos que vivem nas ruas por opção. ''São jovens que têm problema com as drogas e são colocados para fora de casa'', exemplifica.
De acordo com Barros, existe um processo natural de atração de moradores de outras cidades para Maringá. ''Por isso, não existem soluções isoladas e as soluções dependem da integração da região metropolitana'', diz. Um exemplo é a parceria com a prefeitura de Sarandi para construção de um centro de referência de assistência social em Maringá.

mockup