O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) vai entrar com uma ação civil pública contra as empresas Plumbum, São Brás, Peral e Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), responsáveis por mais de 500 mil toneladas de resíduos de chumbo armazenados a céu aberto, em Adrianópolis (133 Km ao norte de Curitiba). A medida dá prazo de 150 dias para que as empresas apresentem um plano de destino e comecem a retirada dos resíduos. De acordo com o órgão, os resíduos de chumbo são responsáveis pela contaminação do solo e do Ribeirão da Rocha, afluente do Rio Ribeira. Estudos também apontaram a contaminação de moradores.
O projeto sobre o destino do produto e também a maneira como os resíduos devem ser retirados do local deve ser patrocinado pelas empresas e aprovado pelo IAP. Caso o projeto não seja aprovado e a remoção dos resíduos não inicie no prazo determinado, as empresas podem ser multadas e até ser solicitada prisão dos responsáveis. O IAP informou que a ação cautelar será protocolada hoje e que as empresas devem cumprir o prazo a partir da notificação.
As empresas já foram multadas pelo IAP, mas recorreram. Um plano de recuperação da área também já foi apresentado pela CBA, mas foi rejeitado pelo instituto. Segundo o IAP, as medidas de recuperação da área contaminada apresentadas foram consideradas insuficientes.
O advogado da CBA, Delmo Nicoli, disse à Folha que a empresa não iria se manifestar sobre a decisão do IAP porque ontem todos os funcionários do setor de meio ambiente foram dispensados por causa da greve de metrô, em São Paulo, o que impediria uma análise do prazo solicitado pelo IAP. Pelo armazenamento a céu aberto do produto, a empresa já foi multada em R$ 2 milhões.
Ontem o IAP também aplicou multa de R$ 50 mil para o proprietário da empresa Aexmil, Mário Tagushi. A Aexmil é responsável por parte do chumbo armazenado no município. Segundo o IAP, Tagushi estaria retirando o material da área sem autorização. Essa é a segunda multa que a Aexmil recebe. A primeira foi aplicada em abril, por causa da armazenagem do chumbo. De acordo com o instituto, os resíduos de chumbo de propriedade da Aexmil estavam sendo removidos para a Complemix, empresa localizada em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, que atua na área de construção. O chumbo estaria sendo utilizado na confecção de cimentos e outros produtos. O IAP está investigando a legalidade desse comércio e as duas empresas podem ser autuadas.

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