Donos de casas na margem do Rio Paraná, em Porto Figueira, ameaçam ingressar na Justiça contra a Prefeitura de Vila Alta (74 quilômetros a noroeste de Umuarama). Para executar obras de urbanização na margem do rio, a prefeitura destruiu as rampas de acesso dos barcos de pelo menos 12 casas de veraneio. Numa das casas, parte da garagem também foi demolida. Os proprietários das casas, quase todos empresários e profissionais liberais de Umuarama, dizem que foram pegos de surpresa. ‘‘A prefeitura sequer nos comunicou’’, reclama o dentista Mário Rocha.
O comerciante e professor Evandro Garcia Diniz disse que ele e outros colegas estão analisando a possibilidade de mover uma ação de indenização contra a prefeitura. O maior problema, segundo Diniz, é que a maioria dos terrenos está irregular o que pode dificultar uma briga judicial. Diniz critica o prefeito Marcos de Paula Farias (PDT) e o diretor da Área de Proteção Ambiental (APA), Job Resende, por não terem discutido o projeto com os proprietários. ‘‘Não informaram nem quando as rampas seriam demolidas. Quem estava no rio ficou sem ter como guardar o barco’’, disse Diniz.
As obras no porto começaram em dezembro. A prefeitura refez a mureta de proteção na sede do Clube de Caça e Pesca e construiu uma passarela na margem do ‘‘Paranazão’’. Com cerca de 300 metros entre a sede do clube e o atracadouro da balsa, a passarela ocupou o lugar das rampas e bloqueou o acesso direto das casas de veraneio ao rio.
O prefeito disse ontem que até agora ninguém o procurou para reclamar. ‘‘Não podemos deixar de fazer melhorias no porto porque contrariam interesses de alguns’’, alega. Segundo Farias, o projeto prevê a construção de uma rampa coletiva para barcos, com roldana e carrinho para atender às casas prejudicadas. O município também assumirá os estragos que as obras causarem nas casas. Job Resende afirma que os empresários não podem exigir nada porque as casas estão em área de proteção ambiental.
A mureta de proteção e a passarela custaram cerca de R$ 75 mil e foram doadas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), como compensação pelos prejuízos ambientais da ponte em construção em Porto Camargo, município de Icaraíma (67 quilômetros a noroeste de Umuarama). O município também vai investir dinheiro próprio para instalar iluminação, bancos e floreiras ao longo da passarela.

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