Autorizada pelo IAP, a Companhia Melhoramentos está retirando 150 metros cúbicos de peroba-rosa do cinturão. A madeira foi vendida para a Madeireira Nova Aurora.
A peroba-rosa é uma das madeiras nobres mais valorizadas, cotada em R$ 500,00 o metro cúbico. Os engenheiros agrônomos Frederico Fonseca e Daniel Merlini não se conformam com a derrubada das perobas. Para eles, mesmo mortas as árvores devem permanecer na mata.
Merlini informou que pretende reunir estudantes para ‘‘abraçar’’ a mata durante as comemorações da Semana do Meio Ambiente em protesto contra a derrubada das árvores. Eles também criticam o acordo que está sendo negociado e que pode liberar parte do cinturão para loteamento.
O agrônomo é de opinião que a cidade não valoriza o cinturão de mata nativa que lhe confere uma característica marcante. Segundo Merlini, os terrenos próximos à mata valem 50% menos que os de outras áreas. Muita gente não quer morar perto do mato por achar perigoso ou porque demora para sair asfalto - a prefeitura só pode cobrar a melhoria de um dos lados da rua. Merlini e Fonseca pretendem reunir ecologistas e criar uma entidade para lutar pela preservação do cinturão.
O chefe do escritório do IAP, Makkio Sato, informou que as 20 perobas retiradas da mata estavam queimadas ou secas. ‘‘São árvores condenadas, cuja retirada não prejudica em nada a reserva’’, garantiu. Segundo Sato, a dona da reserva tem direito de retirar e comercializar a madeira seca. Ele garantiu que o IAP está fiscalizando a retirada e se forem derrubadas árvores boas, a companhia será responsabilizada.
Ainda de acordo com Sato, as clareiras abertas na mata para entrar máquinas e caminhões se fecham em poucos meses, sem prejuízos para a floresta. O diretor da CMNP em Jussara, Maurício de Souza, acha que os ecologistas estão exagerando. ‘‘Se eles acham que as perobas secas ou caídas devem apodrecer dentro da mata, então que comprem a reserva e façam isso’’. (V.M.)

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